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2014/04/29

Apresentação do livro "Cuidar de idosos: uma prática co-construida"


No próximo dia 1 de maio, a enfermeira e professora doutora Rosa Carvalhal, da Escola Superior de Enfermafem de Angra do Heroísmo, irá apresentar o seu livro "Cuidade de Idosos - Uma Prática Co-construída". Em discurso direto, tentamos antecipar o que nos revela este livro.

De que trata “Cuidar de Idosos”?
Trata da procura de respostas para um melhor cuidar dos idosos em situação de doença em particular no que se prende com as relações interpessoais idosos, família e enfermeiros, ou seja, incide sobre a problemática da enfermagem geriátrica. Resulta de um estudo etnográfico, que teve como finalidade a compreensão da cultura relacional do contexto hospitalar geriátrico.
Pretendi compreender o que necessitam; o que querem e o que tem, os idosos e famílias no que se refere à dimensão relacional dos cuidados de enfermagem.
Numa sociedade que envelhece, cujos maiores clientes dos serviços de saúde são idosos, muitas questões se colocam: como se constrói essa relação? Depende de quê? Ao que leve a mesma? Quais os contributos dessa para os idosos, famílias e enfermeiros? Qual a cultura relacional destes serviços? O que contribui para a mesma? Esta “enforma” os profissionais de saúde em presença?
Em análise estão os factores de diferenciação da relação de enfermagem geriátrica e a sua caracterização, constituindo os elementos que levam à sua sustentabilidade como prática peculiar.

A temática relacionada com a Gerontologia está bem presente nos currículos da licenciatura em Enfermagem?
A temática geriátrica, poder-se-á considerar que já tem uma presença significativa nos currículos da licenciatura em enfermagem. No que se refere à gerontologia já não se poderá dizer o mesmo. Esta é uma das questões que acredito será completamente diferente no próximo currículo que já nos encontramos a trabalhar.

Cada vez mais considero que mais que formarmos para o tratamento da doença e para a cura, temos de formar para a melhoria da qualidade de vida das pessoas em todas as idades, situações e em todos os contextos onde se encontrem, para dar resposta aos seus projectos de saúde.
O paradigma da cura já não responde aos projectos de saúde das pessoas. Num paradigma humanista, onde a preocupação se centra na qualidade de vida, a formação e contextos de saúde tem de deixar a perspectiva hospitalocentrista que os têm caracterizado e virar-se para os cuidados integrados comunitários; para a promoção da saúde e prevenção da saúde.

Só criando respostas para “dar mais vida aos anos nos podemos orgulhar de ter acrescentado mais anos à vida”.
O que ainda falta fazer nos Açores para se ter um “envelhecimento ativo”?
Se considerarmos o envelhecimento activo como o processo de optimização das oportunidades para a saúde, participação e segurança, para melhorar a qualidade de vida das pessoas que envelhecem (OMS, 2002), facilmente constactamos que se tem vindo a fazer algumas coisas, mas que muito há ainda por fazer.

Considero que se tem vindo a fazer algumas coisas neste sentido, embora as questões de fundo persistam. Medidas como a criação do cartão 60 +, actividades de laser e exercício físico de proximidade, nas diferentes freguesias, as universidades seniores, os programas de turismo senior, os centros de dia…, são exemplo disso.
O que penso que está por fazer e é a transformação da sociedade para estar de acordo com as alterações demográficas actuais, ou seja o desenvolvimento de uma cultura intergeracional e comunitariamente integrada.

Para um envelhecimento activo, na minha perspectiva, passa por criar respostas intergeracionais, integradas, abrangendo um conjunto alargado e diversificado de áreas – social, educacional, saúde, cultura e lazer, habitacional, entre outras - que envolvem a vida das pessoas.
Esta realidade abrange-nos a todos, independentemente da idade, por isso só faz sentido, numa cultura social intergeracional que urge promover para a mudança de mentalidades. Há que repor os idosos no lugar que é deles por direito, como cidadãos. Vê-los como pessoas que tem limitações e potencialidades, tal como acontece em todas fases e desenvolvimento da humano. Que tem muito para dar e não apenas para receber.

Medidas para um envelhecimento activo sem esta cultura intergeracional, serão sempre medidas “avulso” que acentuam o “ghetto” onde se tem vindo a meter as pessoas à medida que envelhecem.
Enquanto se fomentar a visão do idoso como “um peso social, responsável por quase todos os males da sociedade actual”; como “um ser incapaz que há que arrumar” tudo o que se fizer serão sempre medidas ghetantes.

É indiscutível que o envelhecimento demográfico está ai para durar e continuar a acentuar-se. Há que perspectivar esta realidade como positiva e repensar a forma da sociedade viver e se organizar. Esta realidade trás necessidades de redes de suporte diferentes, mas para todos e não apenas aos idosos.

2014/04/01

"O Voluntariado em Cuidados Paliativos na Comunidade" - 3 abril, 10h30, Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo


No próximo dia 3 de Abril, pelas 10h30, irá realizar-se no Auditório da ESEnfAH - UAc, uma conferência intitulada "O Voluntariado em Cuidados Paliativos na Comunidade"

A palestrante será a Sra. Enfermeira Armanda Dunn, Equipa de Cuidados Paliativos na Comunidade, Southcoast, VNA, em North Dartmouth, EUA. Participe!

2014/02/15

PERCURSOS: Cidália Frias


PERCURSOS com Profª. Cidália Frias, da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo

Quem é Cidália Frias?

Esta pergunta acompanha-me sempre, pois entre um compromisso e outro, entre uma reflexão e outra, associo-a à minha identidade. Mas hoje, penso que existem várias as “atualizações” que vou fazendo a mim própria, redesenhando-me de acordo com a realidade, com as minhas convicções e os meus objetivos quer como pessoa quer como profissional.

O que destaca do seu percurso?

Acho que o que posso salientar é a minha forma de estar: coerente e imparcial. Sou fiel aos meus princípios e na relação com as pessoas com as quais me tenho cruzado ao longo da minha vida. O meu compromisso tem sido com a vida e, neste momento, é tentar sempre e em tudo o que está ao meu alcance, fazer melhor. 

Onde se vê em 2020?

Não sei e, ainda, não pensei nisso! 

A vida vai-nos surpreendendo e conforme “aquilo” que ela nos dá, vamos aprendendo a geri-la, por vezes, de forma dolorosa, outras vezes, de forma generosa.

O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?

Quero continuar a trabalhar com vários colegas e aprofundar algumas áreas que me têm despertado interesse ao longo da minha vida, nomeadamente com as pessoas em fim de vida que me ensinaram muito e com as quais aprendi a valorizar os detalhes e as coisas boas da vida e relativizando as menos boas.

2014/02/13

XII OLÉ TUNAS - Festival de Tunas


Realiza-se dia 14 e 15 de fevereiro a XII edição do OLÉ TUNAS, organizado pela TAESEAH - Tuna Académica da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo (o programa de hoje, devido ao mau tempo, foi adiado para amanhã).

O evento conta com cinco tunas convidadas:
  • IsecoTuna (Coimbra)
  • Musa & Tuna (Terceira)
  • Rauss Tuna (Bragança)
  • ReXa (Terceira)
  • Tasmua (Terceira)

PROGRAMA

Dia 14 - Sexta-feira
  • 18h00 - PassaCales
    • Rua da Sé
  •  21h00 - Serenatas
    • Igreja do Museu
  • 01h00 - Festa Académica
    • Piano Bar Centro Cultural Congressos AH
Dia 15 - Sábado
  • 15h00 - Monumental Garraiada
  • 21h00 - Festival de Tunas Mistas
    • Centro Cultural Congressos AH
  • 01h00 - Festa Académica
    • Piano Bar Centro Cultural Congressos AH

2014/02/09

WORKSHOP "Competências do Enfermeiro de Cuidados Gerais - Formação dos Estudantes de Enfermagem na ESEnfAH"


Realizar-se-á nos próximos dias 10 e 11 de Fevereiro, na Sala 2 da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo,  um Workshop subordinado ao tema "Competências do Enfermeiro de Cuidados Gerais - Formação dos Estudantes de Enfermagem na ESEnfAH".

Para mais informações, consulte o Programa.

2014/02/08

PERCURSOS: Luis Miguel Gomes


PERCURSOS com Prof. Luis Miguel Gomes, da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo.

Quem é Miguel Gomes?
Sou um enfermeiro que desde cedo optou pelo exercício profissional na área do ensino. Ser enfermeiro não foi uma vocação. Iniciar o curso em março de 1985, numa ilha pós-sismo de oitenta, numa família em dificuldades foi uma oportunidade de formação e emprego que sempre soube aproveitar. Sou professor e é na área da enfermagem de saúde mental e psiquiátrica que me sinto mais confortável.

Inconformado com a “crise troikada” que vivemos em todas as dimensões das nossas vidas, reservo a esperança para um futuro melhor. Tenho nos filhos a minha melhor obra de vida, um orgulho e amor imensurável.

O que destaca do seu percurso?
Destaco todas as pessoas e processos que toquei com a minha forma de ser, com os meus conhecimentos, competências, potencialidades, vulnerabilidades e também incompetências.

O desempenho de funções de Presidente do Conselho Diretivo da ESEnfAH – UAc marca o percurso pessoal e institucional de forma muito acentuada.

O Doutoramento em Enfermagem é um marco muito importante, mas ainda não vivi o êxtase da sua conclusão, não senti a expectável diferença entre o antes e o depois… possível efeito conjuntural.

A nível da docência destaco as situações em que vivi momentos de satisfação pelo sucesso dos meus estudantes.

Onde se vê em 2020?
Um professor de enfermagem e de profissionais de áreas da saúde e afins que encontram na Universidade dos Açores (no campus do Pico da Urze) o local por excelência para a sua formação a todos os níveis e com todas as configurações possíveis à época, num sistema de ensino superior (ponto parágrafo). [O que distingue o sistema binário universitário/politécnico é somente um decreto-lei.] Com recordações de um período de crise e transições pessoais, profissionais e organizacionais, revejo-me como uma melhor pessoa, muito mais tranquilo.

O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?
Em termos profissionais aumentar as competências de intervenção na prática clínica e integrar um núcleo de investigação especializado na área da enfermagem, educação e promoção da saúde humana na Universidade dos Açores. Publicar a tese de doutoramento em enfermagem pelo dever ético de divulgar os resultados da teoria situacional desenvolvida sobre a presença como cuidado de enfermagem. Em termos pessoais encontrar um equilíbrio satisfatório adequado à instabilidade da vida na atualidade – uma construção diária - e contemplar a felicidade dos que me são próximos.

2014/01/26

Bruno Pimentel, presidente da NEPTUNA, em entrevista ao Diário Insular


In Diário Insular, 25/01/2014



A terceira edição do encontro de tunas Oceanus, promovido pela NEPTUNA, da Escola Superior de Enfermagem, decorre até hoje em Angra do Heroísmo. O que se pode esperar?

Nesta terceira edição do OCEANUS, a NEPTUNA preparou ontem para o povo terceirense uma noite de serenatas na Igreja Guia do Museu de Angra do Heroísmo. Hoje, pelas 21h, no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo irão realizar-se as atuações das tunas convidadas Musa e Tuna; TASMUA; RExA e TAESEAH. Iremos contar, igualmente, com o grupo musical Myrica Faya. Contámos já em edições passadas com a participação de diversos artistas terceirenses, tais como: Ti-Notas; Fado Madrinho e a Orquestra de Sopros da Ilha Terceira. Garantimos assim nesta edição boa música e animação durante todo o fim-de-semana. Gostariamos de informar também que por cada bilhete que comprar estará a reverter parte do mesmo para a fundação Make-A-Wish Portugal.

Que importância tem este contacto entre tunas?

O contacto entre as tunas é de extrema importância, pois permite o convívio e garante uma oportunidade de partilha da cultura musical entre elas. É também um momento em que as nossas tunas podem demonstrar as suas qualidades a todo o povo terceirense.

Os apoios disponíveis são suficientes para manter um evento destes em andamento?

Embora sejam cada vez mais escassos os apoios para a realização destes eventos, com muito custo e esforço, a NEPTUNA tenta sempre trazer o que de melhor se produz a nível musical aqui na ilha Terceira. Devido à situação económica que se faz viver, nem todas as entidades se encontram nas melhores condições para nos ajudarem. Mas, ainda assim, conseguimos até agora trazer este espectáculo à rua. Esperamos que assim continue, mas como é óbvio muitas das despesas com o evento são acarretadas pela própria tuna. Toda a ajuda é sempre bem vinda, pois como se costuma dizer "sem ovos não se fazem omeletes".

Qual é a importância do espirito académico, sobretudo nesta altura de crise no seio da universidade?

Penso que em momentos de crise, quer financeira, quer mesmo às vezes humanista que se faz viver em todo o mundo, e os Açores não são excepção, é importante existirem estes momentos de descontração para que não vivamos sempre de forma negativista, mas sim tentar a aproveitar a alegria que as tunas e o espirito académico pode proporcionar ao público.

Numa altura em que o espirito académico e mais particularmente as praxes estão debaixo de fogo, devido ao incidente no Meco, como veem esta matéria?

No meu entender existem uma diferença entre as Praxes e as Tunas. As praxes são por norma uma forma de integração dos novos estudantes das diversas universidades do país. As tunas são um grupo musical formado a partir dos estudantes que desejam viver mais intensamente a sua passagem pela universidade. Embora nas praxes, possam por vezes ocorrer acções desagradáveis, nas tunas o que se pretende é exactamente o oposto - é que haja alegria acima de tudo. É de realçar que o verdadeiro espírito das praxes e das tunas não é de tragédia como o caso do Meco. Por isso mesmo, devem e existem limites para tudo. Cada qual tem que ser responsável pelos seus atos. Mas penso que a meu ver as pessoas estão cientes disso e sabem que o espirito académico, as praxes ou as tunas significam muito para além disto - significam viver o mundo universitário de uma forma mais alegre e descontraída.

2014/01/17

O que é a enfermagem? O que é ser-se estudante de enfermagem na ESEnfAH?




A Enfermagem é a arte expressa na tela trabalhada dia-a-dia num constante apelo à criatividade do enfermeiro. Nesta despida tela que se transformará na mais bela das Artes sob o imparcial olhar multidimensional e holístico do Homem, cada ponto é uma infindável dança de gerações; o mais pequeno traço, genuíno esboço de um sorriso, riqueza de uma ansiosa e desprotegida Alma; cada linha, perfeição escultural de cada atitude, cada comportamento, cada ação...é o reflexo estético da essência do Ser Humano; as formas, resultado da interligação de pontos e linhas, são uma representação da experiência adquirida no processo interativo e dinâmico do Cuidar que se constrói entre o Ser que cuida e o Ser que é cuidado; as cores, brilho da empatia, música que encanta e traz novo ânimo; cada cor, uma característica inerente à relação terapêutica, desde a ternura do olhar, à suavidade do toque que reconforta e afirma a sua presença.

Ser estudante de enfermagem é iniciar toda esta infinita admirável experiência de artista da Arte Humana; é construir e construir-se, conhecer e reconhecer-se, fortalecer-se...é aprender e crescer a cada ensino clínico, a cada interação com a realidade da prática de Enfermagem; é aprender e crescer com cada docente, cada enfermeiro, cada utente, cada família.  

Texto da autoria de Eliana Ormonde
Estudante do 3º ano, turma 4ºCEGLE
ESEnfAH-UAc
(disponivel no Facebook)


2014/01/16

Enfermeira e…desportista




Texto da autoria da Enfermeira Ana Júlia Silva

O desenvolvimento no domínio científico de Enfermagem é caracterizado pela necessária afirmação do profissional como um relevante ator social. Neste âmbito, importa realçar que uma das competências do enfermeiro, no domínio da prestação de cuidados, é a promoção da saúde. Feita esta pequena nota introdutória e transpondo para a prática desportiva, esta tem vantagens reconhecidas no desenvolvimento do ser humano, tanto na vertente física, como psíquica e social. 

Mas que ligação estabelecer entre enfermagem e desporto?! Falando um pouco da minha experiência pessoal, desde bem cedo, com apenas 4 anos de idade, iniciei uma modalidade desportiva que me acompanha até aos dias de hoje…a ginástica rítmica. O espírito competitivo que se desenvolve afirma a responsabilidade de fazer mais e melhor, sempre com fair play, pois o desporto deve ser praticado de forma saudável e de acordo com os seus desígnios fundamentais. Também se desenvolve a capacidade de organização, essencial a um adequado rendimento escolar, para além de imbuir um conjunto de princípios. Destaco o respeito, a prossecução de objetivos e a capacidade de endurance.

Agora, na qualidade de profissional de saúde, como enfermeira de formação, vejo e revejo ainda mais a importância da atividade física e todo o desenvolvimento que me proporcionou e continua a proporcionar. As vantagens anteriormente descritas da atividade física são paralelas ao conceito de pessoa, sendo a pessoa elemento central do cuidado em enfermagem. Os cuidados de enfermagem tomam por foco de atenção a promoção dos projetos de saúde que cada pessoa vive e persegue. 

A defesa dos princípios deve ser uma preocupação constante de todos. Como enfermeira e desportista, tenho como principais princípios orientadores o respeito pela dignidade humana, responsabilidade perante a sociedade e excelência na relação com os outros. Realizando um pouco o papel de ator social que o enfermeiro deve ter, especificamente através da promoção da saúde, realço os efeitos benéficos da atividade física regular que são sobretudo ao nível cardiovascular, metabólico, imunitário, locomotor, na saúde psicológica e na qualidade de vida e bem-estar. Outrora Nelson Mandela afirmou, “Uma boa cabeça e um bom coração formam sempre uma combinação formidável”.

Publicado no Diário Insular em 06/01/2014

2014/01/15

Da sala de aula ao contexto clínico




Texto da autoria de Pedro Gonçalves Almeida
Aluno do 2º Ano Enfermagem

Esta reflexão relata a minha primeira experiência de ensino clínico, com pessoas em situação de doença, a forma como lidei com elas e o modo como encaro este processo. Realizei-o em contexto hospitalar e num centro de saúde.

Nos primeiros dias em contexto hospitalar, tinha muitas expetativas, mas não contava sentir um impacto tão forte. Deparei-me com “casos delicados” e senti que, dada a minha inexperiência deveria, não só mobilizar os conhecimentos adquiridos durante o período teórico, como também estar atento às orientações das enfermeiras tutoras. Estas, também me ajudaram a estabelecer relações satisfatórias com os utentes com quem lidava diariamente. 

Aprendi a refletir sobre a construção dos cuidados de enfermagem e familiarizei-me com a dinâmica do contexto hospitalar, o que melhorou o meu desempenho. 

As reuniões que tive com as orientadoras ajudaram-me a perceber as estratégias a adotar, e a sentir-me cada vez melhor para ajudar os utentes, nomeadamente no que se refere ao controle da minha ansiedade. Certos utentes foram capazes de perceber que eu era pouco experiente, mas que me esforçava por dar respostas adequadas às suas necessidades. 

Interessaram-se por mim e, estar com elas, fez-me sentir que é assim o processo de cuidar. Progressivamente, construiu-se uma relação de ajuda que facilitou a minha inserção naquele contexto. 

Tive consciência de que é necessária muita “bagagem” teórica para prestar cuidados de enfermagem e intervir fundamentadamente, pelo que aprofundei os meus conhecimentos conversando com as orientadoras e pesquisando autonomamente. O incentivo motivou-me e fez-me perceber que os meus déficits de conhecimentos podiam ser colmatados, conjugando a experiência com a investigação, visto que em cada caso existem especificidades que requerem uma adequação dos conhecimentos teóricos investigados.

Numa segunda fase do Ensino Clínico e já no centro de saúde, a adaptação foi mais fácil, embora a minha desinibição tivesse de ser um pouco maior para conseguir desenvolver os cuidados de enfermagem adequados às necessidades dos utentes. Neste contexto, foi de especialmente importante a educação para a saúde, pois a partilha de informações potencia mudanças de hábitos capazes de melhorar a qualidade de vida. A simpatia e abertura de alguns utentes que tiveram em atenção as recomendações que lhes foram feitas, fez-me experienciar momentos especialmente gratificantes. No entanto, deparei-me também com pessoas mais relutantes ou com situações mais delicadas que necessitavam de apoio especializado. 

Como tenho vindo a partilhar, o Ensino Clínico é um processo moroso que exige autoaperfeiçoamento. 

Vai-se adquirindo experiência e noção da realidade, para se conseguir ter segurança e iniciativa na prática clínica. O aconselhamento dos orientadores, em contexto clínico, é fundamental para se poder amadurecer e atingir o nível de performance que pretendemos. Embora este processo seja exigente, acaba por ser recompensador, pois está a contribuir-se para o bem-estar dos utentes que necessitam de ser compreendidos e acompanhados bem como para a nossa realização pessoal.

Por fim, afirmo que o Ensino Clínico contribuiu para que desenvolvesse uma noção diferente da abrangência da profissão para a qual estou a formar-me. É evidente que é exercendo os cuidados de enfermagem que se consegue mobilizar os conhecimentos aprendidos e simultaneamente, ao lidar-se com uma diversidade de pessoas, aperfeiçoarmo-nos e alargarmos a nossa perceção da realidade dos cuidados de enfermagem construídos com e para os cidadãos.

Texto publicado no Diário Insular em 09/01/2014