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2014/03/22

Dia Mundial da Água - "A Água nos Açores"


Francisco Cota Rodrigues
Universidade dos Açores
Departamento de Ciências Agrárias

Os recursos hídricos, para além de essenciais à vida, são um dos principais fatores do desenvolvimento económico. 

Um dos grandes desafios que se colocam aos Açores prende-se com a valorização do recurso água. A exiguidade territorial do arquipélago, aliada à vulnerabilidade dos sistemas hídricos, justificam estratégias de actuação activas, tendentes a aprofundar conhecimentos, integrar a exploração e apostar na sustentabilidade.

A ocorrência de água nos Açores apresenta características próprias, diferenciadas das que surgem em territórios contínuos, hidrogeologicamente homogéneos. Essas particularidades relacionam-se com especificidades climáticas locais, que marcam processos de precipitação e evapotranspiração diferenciais e com a geologia e geomorfologia dos terrenos, que para além de conformarem o escoamento superficial induzem no corpo rochoso insular processos de circulação e armazenamento de água peculiares.

A maior parte da água utilizada nos Açores provém da exploração de massas de água subterrâneas. A irregularidade dos caudais, aliada a dificuldades de captação constituem os principais obstáculos à captação de águas superficiais.

No corpo rochoso das ilhas açorianas podem ser individualizados dois tipos de unidades hídricas subterrâneas: uma correspondente aquíferos suspensos, que resultam da retenção de água na zona não saturada, e outra basal, hidraulicamente governada pela diferença de densidade entre massas de água doce e água salgada proveniente de infiltrações marinhas.

Os aquíferos suspensos surgem na sua maioria associados a lavas e piroclastos dispostos sobre paleossolos argilosos, formados durante períodos de quiescência vulcânica. De um modo geral apresentam águas pouco mineralizadas e com uma microbiologia complexa, associada à elevada vulnerabilidade dos terrenos à poluição e ao pastoreio livre de animais.

Os principais sistemas aquíferos suspensos dos Açores localizam-se no interior de caldeiras (e.g. Nasce Água e Cinco Picos na ilha Terceira) ou nas vertentes de grandes aparelhos vulcânicos (e.g. Serra do Cume, Sete Cidades e Caldeira do Faial). Em regra apresentam caudais muito dependentes das recargas, com grandes oscilações sazonais. 

O aquífero basal desenvolve-se em todas as ilhas. Corresponde a um conjunto de formações saturadas por água doce situadas a cotas próximas do nível do mar em equilíbrio hidrodinâmico com água salgada proveniente de infiltrações do mar. Os principais factores que afectam este dinamismo prendem-se os ciclos de recarga e descarga naturais, oscilações das marés, fluxos geotérmicos e variações na dispersividade do meio.

A entrada de água no aquífero de base faz-se em toda a superfície insular, ocorrendo as maiores recargas nos terrenos lávicos recentes, onde a permeabilidade é maior, e nas zonas mais altas, onde os índices de pluviosidade são mais elevados. Os seus pontos de descarga localizam-se na linha de costa, sobretudo na zona intertidal, sendo popularmente conhecidas por nascentes de maré. A água destes mananciais são por vezes hidrotermais (e.g. nascentes do Carapacho, Ribeira Quente, Varadouro e Águas Santas), ou apresentam quantidades elevadas de dióxido de carbono dissolvido (e.g. Água Azeda do Raminho e Serreta).

Os sistemas de abastecimento de água insulares, assentam na captação de nascentes, poços e furos. As nascentes captadas estão na sua totalidade associadas a aquíferos suspensos com águas do tipo cloretado sódico, embora nalguns pontos sejam bicarbonatadas sódicas, com mineralizações baixas.

A maioria dos poços e furos existentes nos Açores captam o aquífero basal, embora alguns, sobretudo na ilha Terceira e em Santa Maria, captem aquíferos suspensos. As águas basais são maioritariamente do tipo cloretado sódico, embora nalguns poços surjam águas bicarbonatadas sódicas, revelando a grande influência marinha.

O incremento generalizado da extração de água nas massas aquíferas nos Açores obrigam a uma gestão cuidada das disponibilidades para fazer face às necessidades, que se preveem crescentes. Esta deve passar em primeiro lugar pela formação de técnicos especializados, capazes de gerir de forma sustentável um recurso estratégico como a água e pela criação de sistemas de monitorização adequados, que permitam identificar recursos exploráveis, quantificar caudais e avaliar a qualidade do recurso captado.

Francisco Cota Rodrigues

2014/03/21

Dia Mundial da Floresta e da Arvore - "AS ÁRVORES NA IDENTIDADE DA PAISAGEM DOS AÇORES"

"AS ÁRVORES NA IDENTIDADE DA PAISAGEM DOS AÇORES"
 
As árvores com história da cidade património mundial
de Angra do Heroísmo (foto Eduardo Dias)
As árvores são símbolo da vida. Demos-lhes esse galardão porque constituem os seres vivos mais importantes da biosfera. São elas que modelam o planeta e permitem a existência de milhões de espécies. Mas esse símbolo global, que hoje gostamos de comemorar no Dia da Árvore, foi, num passado recente em que o homem dependia mais directamente dos recursos naturais, de significado muito mais profundo. A maioria das civilizações possuem a árvore entre os seus símbolos mais nobres e serviam para construír uma identidade colectiva, para criar a unidade social e para projectar valores.

As árvores com expressão cultural das quintas
 da laranja de São Carlos (foto Eduardo Dias)
Por isso, as árvores, para além de recurso natural, de construtoras de ecossistemas e de símbolos societais, também forneceram milhares de serviços à humanidade, na medicina, na alimentação, na condimentação, na indústria, na despoluição das cidades, na regularização do ciclo da água, na conservação da biodiversidade e, com isso, permitiram o erguer de culturas (como as mediterrânicas) e a construção de sonhos. Algumas são símbolos mais conhecidos, como os louros (de César), as palmas (santificação), a laranjeira (pureza) ou os ciprestes (eternidade). Outras tem simbologias mais resguardadas, de outras civilizações ancestrais, como as camélias (rosas do Japão), a criptoméria (longevidade), as araucárias (realeza), a acácia (qualidades morais), os bambus (força e equilíbrio).

Magnólias e palmeiras, árvores de forte
 simbolismo cristão, São Carlos (foto Eduardo Dias)

Por isso, as árvores que se destacam nas paisagens urbanas expressam a nossa trans-oceanidade, a concentração de culturas, do período das grandes descobertas portuguesas, no qual a Terceira foi o centro do Atlântico e local estratégico no domínio dos valores. Neste período, as plantas eram o centro de economia – pimenta, canela, madeiras, açúcar – e, por isso, novos recursos. A procura e recolha de árvores por todo o mundo tornou-se, não só um motivo de estratégia económica mas também uma exploração de novos recursos. Nessa interpretação, percebemos que as espécies mais simbólicas das culturas ultramarinas eram, muitas vezes, as de maior potencial. Cultivadas nos Açores, forraram a nossa paisagem de marcos simbólicos dos povos por onde passávamos, desde as Canárias à Nova Zelândia, da Índia ao Japão. Nos nossos jardins ainda perduram um elevado número de árvores que perpetuam esta nossa memória colectiva: jacarandá (América do Sul), pau-brasil (Brasil), palmeiras (Canárias, Oceânia, Américas), roseira (árvore, América do Norte), magnólias (América), incenseiro (Nova Zelândia), criptoméria (do Japão), cicas (África do Sul), ginkgo (China, Japão) e tantas outras.

Flor da Magnólia roxa (foto Eduardo Dias)
Marcaram-nos, desde então, com uma admiração pelo exótico, como sinónimo de riqueza, cultura, elitismo, com que fomos preenchendo os nossos espaços públicos, numa matriz histórico-cultural e que se tornaram marcos da nossa identidade, homenagem ao que somos e construímos, simbolismo da cultura açoriana.

Num tempo do domínio da máquina, que eliminou a distância e permitiu que a Natureza, produtora e criadora do nosso mundo, esteja cada vez mais longe do dia-a-dia de cada um de nós, fomos esquecendo o quanto dependemos das árvores, o seu valor simbólico, que elas nos faziam recordar todos os dias quando as olhávamos. Perdemos a noção de quanto são essenciais para a nossa existência, deixámos de as conhecer pelos seus nomes.

Gingeira-brava, uma das árvores endémicas dos Açores
mais raras, em floração (foto Eduardo Dias)
No futuro que agora começamos a construir, expressam-se as novas interpretações do mundo, numa sociedade cada vez mais universal, sensível às questões da natureza, por sentirem que é da relação íntima e respeitadora para com esta que se geram os factores essenciais para a qualidade do ambiente, mas também para uma identidade própria. Uma progressiva onda de respeito pela natureza e de valorização do património natural tem criado uma nova consciência do ambiente que nos rodeia e dos valores naturais, mas também estéticos e culturais.

As árvores dominantes da laurissilva açoriana, louros,
azevinhos e sanguinhos (foto Eduardo Dias)
Nesse sentido, uma invasão da cidade pelos elementos endémicos, tão pouco queridos até há pouco tempo, porque considerados banais (para quem as via todos os dias), tem ganho o seu espaço e começa a ser apreciado como uma aliança entre o campo e a cidade, entre a urbanidade e a natureza, elementos fortes na construção actual da identidade colectiva.

Flor do louro (foto Eduardo Dias)
Contrariamente ao que se considerava, algumas das árvores endémicas (muitas vezes, designadas por arbustos, tal é o desconhecimento que ainda temos delas), possuem um alto valor estético e um crescimento suficientemente rápido para poderem competir com elementos seleccionados da flora universal. Falamos de algumas das mais raras árvores do mundo e, por isso, alia-se ao valor patrimonial o valor específico e singular.

A laurissilva açoriana, a mãe de todas as
florestas endémicas (foto Eduardo Dias)
Neste contexto, torna-se apropriado falar da ginjeira-brava, considerada pelo eminente botânico português, recentemente falecido, Professor Amaral Franco, como uma das mais belas árvores do nosso património, do louro-da-terra que agora empresta aos campos um aroma suave da intensa floração, ou mesmo do azevinho-bravo (símbolo de abundancia, estilizado nos arranjos de Natal com as suas bagas vermelhas) que, devidamente conduzidos, se tornam de grande beleza e dão caracter endémico á paisagem com os seus verdes escuros e folhagem persistente.
 
Eduardo Dias
Departamento de Ciências Agrárias
Universidade dos Açores

2014/03/12

PERCURSOS: João Guilherme Batista





PERCURSOS com professor João Guilherme Batista, do Departamento de Ciências Agrárias


Quem é João Guilherme Batista?
Sou um homem bem comum, tranquilo com o passado, com os pés assentes no presente e confiante no futuro.

O que destaca do seu percurso?

Não me limitei a existir, tentei viver e trabalhar à minha maneira, semeando e cultivando ideias e vontades, indiferente às indiferenças, colhendo com orgulho o fruto de algumas das minhas aspirações.

Onde se vê em 2020?


A viver outros sonhos. Há vida para além do campus ...

O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?

A encerrar uma janela e a abrir uma nova porta, para o resto da minha vida.

2014/03/08

PERCURSOS: Moreira da Silva




PERCURSOS com professor Moreira da Silva, do Departamento de Ciências Agrárias

Quem é Moreira da Silva?

Aqui está uma pergunta difícil que ninguém me tinha feito antes. Sou o Fernando para os amigos e muitos outros nomes … para os outros. Sou Pai quatro filhos e tento a cada dia ensinar-lhes a serem bons. Tento não gastar muito da minha vida a organiza-la …. e tenho a exacta noção da minha pequenez. Em termos profissionais sou Zootécnico e Professor, por vocação.

O que destaca do seu percurso?
A nível académico… penso que é isso que poderá interessar, tenho feito o possível. Penso que o mais importante a este nível é ter conseguido granjear o respeito por parte dos meus pares. Penso que consegui, dentro do possível, fazer escola dentro da casa. Este é sem dúvida o aspecto que mais me orgulho a nível profissional.

Onde se vê em 2020?
Neste momento, é impossível um horizonte tão longo. No que depende de mim, a Casa é a minha bandeira. Espero que as coisas acalmem e a poeira assente e que cada um de nós seja reconhecido mais pelo mérito.

O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?
Antes, quando a idade da reforma era atingida numa fase ainda activa da vida, imaginava-me a fazer um curso de pintura e um retiro espiritual de um ano no Tibete. Agora partilho a preocupação de todos em que chegar à reforma pode não significar ter reforma… assim avançamos de um dia para o seguinte.

2014/02/20

PERCURSOS: Félix Rodrigues



PERCURSOS com Prof. António Félix Rodrigues, do Departamento de Ciências Agrárias

Quem é Félix Rodrigues?
Uma pessoa com dificuldade em definir-se pois admite que no dia seguinte já não é igual ao dia anterior. Não me refiro ao processo físico de envelhecimento, mas à forma de encarar a vida e ver o mundo.

Nasceu na Vila de São Sebastião na ilha Terceira no seio de uma família de agricultores (não confundir com lavradores), por isso mesmo, de origem rural.

Sempre gostou do estudo, talvez por ser curioso e como tal, pretendeu seguir estudos na área de Física, em Lisboa, quando terminou o 12º Ano de Escolaridade na então Escola Secundária de Angra do Heroísmo.

Terminado o curso decidiu voltar para os Açores, apesar de ter tido várias oportunidades de ficar a trabalhar em Lisboa. Havia muito pouca gente formada em Física na altura.

Foi convidado para concorrer à vaga de Física/Mecânica aberta no Departamento de Ciências Agrárias, quando cá chegou. Como tinha acabado de entrar no quadro da Escola Secundária Padre Jerónimo Emiliano de Andrade, não o fez. Leccionou durante dois anos nessa Escola, na Escola de Enfermagem de Angra do Heroísmo e no Conservatório Regional de Angra do Heroísmo.

Alertado pela segunda vez para o concurso Física/Mecânica no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, decidiu concorrer e aí ficou colocado.

A partir daí fez todo o processo académico normal.

Entende que além de ser universitário, também é cidadão, por isso sempre teve uma participação política pública, primeiro independente, e nos últimos anos partidária.

O que destaca do seu percurso?
Muitas propostas de investigação que não foram consideradas pelo poder público e até mesmo universitário e que hoje em dia, se demonstram com pertinência, como por exemplo a criação de uma biofábrica para a esterilização da Ceratitis capitata e do escaravelho japonês, que só mais tarde foi implementada na Madeira, a proposta de um Centro de Radioterapia na Terceira em 1989, rejeitado pela própria administração do hospital e Governo Regional, a identificação pela primeira vez e sua caracterização das poeiras oriundas do Deserto do Saara, a colaboração com o United States Geologycal Survey e NASA e refefência ao meu trabalho científico na Scientific American.

Considero existirem ainda muitos outros aspetos do meu trabalho que merecem destaque, mas foram ou são alvo de crítica política acéfala, como por exemplo:

-Análise da contaminação da poluição por hidrocarbonetos na Praia da Vitória – informação pública – Denúncia pública – análise do trabalho de caracterização da contaminação das águas e aquíferos na Praia da Vitória realizado pelo LNEC – informação pública – denúncia públia – debate público – debate político……

-Descoberta do Complexo Megalítico da Grota do Medo – Comunicação às Entidades responsáveis – não aceitação das conclusões do relatório preliminar da DRC – início de contactos e estudo do local – não aceitação de relatório de perita nacional – apresentação pública e científica de trabalhos prévios (centrados em aspetos físicos e geológicos) – não aceitação do relatório da Comissão de peritos nomeados pelo Governo Regional – mais coleta de dados que oportunamente serão tornados públicos, onde certamente se tentará tornar isso numa história inacabada………

Onde se vê em 2020?
A ter o enorme prazer de dar aulas e a publicar os trabalhos mais importantes da minha carreira.

O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?
Ter alguma experiência política como deputado, para entender os meandros da decisão política e poder contribuir para a alteração de algumas situações inaceitáveis da vida pública.

2014/02/19

Pónei da Terceira foi reconhecido como raça autóctone - Centro de Biotecnologia dos Açores



 Foi recentemente revelado que o Pónei da Terceira foi reconhecido como raça autóctone. Falámos com o professor Artur Machado, responsável pelo Centro de Biotecnologia dos Açores.

Qual a importância desta noticia para a economia açoriana?

Existem interessados não só do continente mas também de países da Europa na aquisição de póneis, o que será uma mais valia para os criadores da raça. Além disso, com a divulgação do Pónei em provas, será possível trazer à ilha pessoas de fora, como aliás irá acontecer já em Julho aquando da realização do Troféu Dressage Póneis que contará com a participação de cerca de 50 atletas do continente e que não virão sozinhos. Contamos receber na ilha entre participantes e acompanhantes cerca de 150 pessoas.


 Qual o papel que o Centro de Biotecnologia desempenhou nos trabalhos de preparação do reconhecimento da raça do Pónei da Terceira? 

O Centro de Biotecnologia dos Açores, há cerca de 14 anos, iniciou todo um processo de recuperação destes animais, primeiro na selecção dos animais com as características típicas do Pónei da Terceira, e estudando também a população através dos dados biométricos e da caracterização molecular da raça através de ADN, concluindo que “esta era uma população que se diferencia de outras raças”. 



Depois, aumentando o efectivo e, por último, em 2012, fazendo, em conjunto com a Associação dos Criadores e Amigos do Pónei da Terceira, o pedido de reconhecimento como raça autóctone, o qual surge, agora, passados menos de dois anos, tendo sido os resultados desta longa investigação validados pela Direcção-geral de Alimentação e Veterinária (DGV).     

Que mais valias antevê para o Centro de Biotecnologia por estar envolvido neste processo?

Para além do reconhecimento da qualidade científica, visto que para uma raça ser aprovada tem que se elaborar um processo com bases técnicas, que se não forem bem executadas não surtirão os devidos efeitos, temos um aspecto prático como fonte de financiamento para o Centro que ficará encarregue de certificar as genealogias dos animais a registar no futuro.

Para além de muitos outros projectos do foro científico aos quais poderemos concorrer após o reconhecimento da raça.

2014/02/17

Emiliana Silva, o "dia seguinte" às provas de agregação


Nos dias 6 e 7 de fevereiro, decorreram as provas de agregação requeridas pela professora doutora Emilina Silva, tendo sido aprovada por unanimidade. Segue-se uma breve conversa, na sequências dessas provas.

Num percurso académico, o que significam "provas de agregação"?

As provas de agregação, para mim, são um objetivo de vida. São, assim, as últimas provas públicas académicas da carreira universitária, onde um júri, maioritariamente composto por professores catedráticos externos à universidade do candidato, faz a avaliação de todo o percurso académico e profissional do candidato, sendo atribuído o grau de agregado, e ficando o candidato em condições de concorrer ao cargo professor catedrático. São umas provas difíceis, muito exigentes ao nível de percurso profissional e académico que requerem muito trabalho, empenho e dedicação pessoal.

A lição que apresentou tinha como tema "Modelos de análise da decisão multiobjetivo", de que se trata?

A decisão é comumente tomada num contexto de objetivos múltiplos. De um modo geral, o aumento do rendimento pode ser apenas o único objetivo que condiciona a decisão. Mas nem sempre é assim, para além do rendimento podem existir outros objetivos, por exemplo ambientais, que sejam relevantes nos comportamentos dos decisores. No entanto, no caso dos agricultores açorianos verificamos que a rentabilização e empregabilidade da mão-de obra (fator trabalho) tem mais importância do que o rendimento e que este é menos importante do que se esperava. Acaba por se explicar da seguinte maneira, se eu ganhar o euromilhões, o meu objetivo pode deixar de ser ganhar mais dinheiro e passa a ser passear por este maravilhoso planeta. Claro que a modelação envolve modelos matemáticos (extensões da programação linear) que utilizam informação para dar resultados que suportem as nossas decisões. Nesta aula, pretendeu-se apresentar os métodos de programação multiobjetivo (modelos matemáticos) que nos permitem apoiar a decisão.

Quais os passos seguintes na sua carreira?

Passos seguintes na carreira, ficar atenta aos concursos de professor catedrático na área de economia agrária nas universidades portuguesas, e quiçá, passar uma temporada a trabalhar a em organizações internacionais…espreitar as oportunidades que surgirem e arriscar.

2014/02/16

Curso de Transferência de Embriões em Bovinos - Grupo de Reprodução Animal



O Grupo de Reprodução Animal, do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, após a realização com sucesso de vários workshops e de cursos técnicos de curta duração, irá promover mais um curso técnico: “Curso de Transferência de Embriões em Bovinos” Este curso, com a duração de 70 horas, irá realizar-se entre 31 de Março a 11 de Abril. Tem como principais objetivos:

- Preparar as vacas dadoras e recetoras de embriões e avaliar a resposta ovárica;
- Recolher embriões in vitro (matadouro) e in vivo em vacas superovuladas;
- Identificar e manipular os embriões durante todos os passos desde a recolha à transferência;
- Congelar e descongelar embriões;
- Transferir embriões de acordo com as técnicas adequadas;

Este curso terá um máximo de 12 participantes, sendo necessário algumas condições para a participação, nomeadamente, possuir o curso de Inseminação artificial em bovinos ou ter prática de palpação trans-rectal e de inseminação artificial em bovinos.

Para se inscrever ou obter mais informações contate-nos através do correio electrónico: heldernunes@uac.pt ou dirija-se ao laboratório de reprodução animal da Universidade dos Açores."

2014/02/13

PERCURSOS: Carlos Vouzela


PERCURSOS com Prof. Carlos Vouzela, do Departamento de Ciências Agrárias

Quem é Carlos Vouzela?
 
Nascido em Lisboa e após 16 meses ter ido para o Porto onde fiz todo o meu percurso de Ensino Básico e Secundário, escolhi os Açores e concretamente a Universidade dos Açores para prosseguir a minha formação académica. Por isso, considero-me um “filho da casa” já que também foi nesta Instituição que cresci como profissional e à qual tenho dedicado o trabalho de toda uma vida na área das Ciências Agrárias.
 Independentemente das imperfeições que possam existir na minha pessoa, tenho pautado a minha vida por princípios de lealdade profissional e pessoal.

O que destaca do seu percurso?
Pelo apreço que que sinto pela Universidade dos Açores tenho orientado a minha carreira universitária para responder aos interesses e desafios desta Instituição. Retrospectivamente, os meus contributos principais têm sido no desenvolvimento e solidificação das Ciências Agrárias enquanto área de ensino e investigação no Departamento de Ciências Agrárias, para além da colaboração prestada em órgãos de gestão da Universidade dos Açores.

Para além disso, gostaria de destacar o relacionamento estreito com o tecido empresarial do sector da agro-pecuária e em actividades de extensão junto dos empresários agrícolas.

Onde se vê em 2020?
Apesar dos tempos difíceis que o Ensino Superior atravessa, espero contribuir para a renovação da estrutura universitária e concretamente na Universidade dos Açores no que diz respeito à consolidação da mesma como centro de saber para a sua expansão a nível nacional e internacional.

Fruto da experiência, entretanto adquirida, penso que futuramente conseguirei contribuir ainda mais, de forma decisiva, na formação académica e valorização pessoal dos alunos, que são a razão da nossa existência.

O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?
Perante a actual situação caótica da investigação a nível nacional, gostaria de contribuir mais no sentido de promover condições que permitam à Universidade dos Açores continuar a afirmar-se como um centro de excelência no meu campo de intervenção, e projectar, ainda mais, a Universidade dos Açores além-fronteiras.




2014/02/05

MESTRADO EM ENGENHARIA E GESTÃO DE SISTEMAS DE ÁGUA ACREDITADO POR CINCO ANOS

05-02-2014

"O mestrado em Engenharia e Gestão de Sistemas de Água, ministrado no polo de Angra do Heroísmo, mereceu acreditação máxima por parte da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES)."
 
"O mestrado, que segue agora para a sua quarta edição, aborda disciplinas como a avaliação da qualidade da água, a gestão dos usos da água, gestão e conservação de zonas húmidas, hidráulica aplicada e hidrogeologia."

2013/11/05

Professor Alfredo Borba - reeleito diretor do Departamento de Ciências Agrárias


Recentemente eleito para um novo mandato na direção do departamento de Ciências Agrárias, quais os principais desafios que tem pela frente?

Neste momento temos dois tipos de prioridades, as imediatas e as prioridades a médio logo prazo. De imediato temos que assegurar o funcionamento do ano letivo, o mais normal possível, depois deste arranque que podemos dizer ter sido catastrófico. A médio - longo prazo, temos que assegurar uma reestruturação do Departamento e a sua inserção dentro do Campus da Angra do Heroísmo, de forma a tornar este forte e dinâmico. O Departamento de Ciências Agrárias não é o Campus, mas é essencial a conjugação de todos os elementos constitutivos desse mesmo Campus, para este ser uma realidade cada vez mais pujante.


Que papel tem tido o DCA no desenvolvimento dos Açores?

Nos seus trinta e oito anos de existência o Departamento de Ciências Agrárias, conseguiu ser uma força que contribuiu, de forma decisiva, para criar a Região tal como hoje a conhecemos, formando a maioria dos técnicos que atuam nos Açores nas áreas da Agricultura e do Ambiente.


A ciência, a investigação e as empresas, é uma ligação que nem sempre é fácil de alcançar. Considerando a investigação que neste momento é desenvolvida aos vários níveis no DCA, perspetiva uma alteração a este nível? Que exemplos gostaria de realçar?

A investigação científica sofre, na maioria dos casos, um forte revés nos últimos dois anos. Toda a investigação ligada à Universidade, isto é, que não estava deslocada para centro exteriores, como a Fundação Gaspar Frutuosos, foi reduzida praticamente a nada. Os investigadores tiveram de fazer um grande esforço de redireccionamento dessa investigação, arranjar novas fontes de financiamento e começar, em muitos casos praticamente do zero. Este facto teve repercussões importantíssimas na produção científica do DCA, na composição das suas equipas de investigação e na sobrevivência de algumas outras. Para o futuro temos que recomeçar, em muitas áreas de novo, arranjar parceiros estratégicos e continuar a ser um pólo de desenvolvimento da área da agricultura e ambiente, como temos sido ao longo dos últimos 38 anos.


Como se pretende afirmar o DCA no mundo universitário, por via duma clara vantagem competitiva, no que concerne à sua oferta letiva e centros de investigação?

O DCA tem que reajustar a sua oferta letiva, nomeadamente na área das Ciências do Ambiente, e estabelecer parcerias estratégicas com outras instituições nacionais. Como o caso recente do protocolo estabelecido com a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, ou de outros que estão em andamento, como o com o Instituto Superior de Agronomia, no que concerne à Arquitetura Paisagística.

No que diz respeito aos Centros de Investigação, vamos assistir a um rearranjo, com a nova candidatura à FCT, prevendo-se a integração de equipas em Centros de outras Instituições de Ensino Superior e a candidatura de um Centro do Departamento, o Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores (CITA-A).