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2014/07/12

Mestrado: Da Escrita do Nome à Escrita de Textos: Estratégias de Abordagem à Escrita na Educação Pré-Escolar e no 1.º Ciclo do Ensino Básico



Mónica Rodrigues realizou as provas de defesa do relatório de estágio do Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico no passado dia 26 de junho, sob o título "Da Escrita do Nome à Escrita de Textos: Estratégias de Abordagem à Escrita na Educação Pré-Escolar e no 1.º Ciclo do Ensino Básico" As provas foram avaliadas por um júri presidido pelo Doutor Pedro Francisco González, sendo vogais as doutoras Ana Isabel da Silva Santos e Susana da Conceição Miranda da Silva Mira Leal.


Olá Mónica. O que a levou a ingressar neste mestrado? Como surgiu o tema da sua tese de mestrado?
Para responder à primeira questão, as razões que me levaram a ingressar neste mestrado, faria todo o sentido partilhar convosco as primeiras experiências que tive na área da Educação, porque foram estas experiências que me despertaram o interesse em enveredar por esta área. Sendo assim, e para ser breve neste assunto, posso partilhar que tive o prazer de trabalhar, ao longo da minha formação, com crianças, com idosos, com jovens em risco e com crianças com Necessidades Educativas Especiais. Todas estas experiências permitiram-me "crescer" enquanto pessoa e futura profissional. O mestrado veio complementar uma das necessidades que eu tive ao longo das várias experiências, sendo ela: perceber/compreender, ainda melhor, o "mundo da criança" para poder contribuir de forma positiva na formação das crianças possibilitando-lhes aprendizagens significativas. Quanto ao tema da tese, este surgiu aquando a realização do primeiro estágio, no contexto da Educação Pré-Escolar, em que foi constatado que as crianças não tinham hábitos de escrita, nem apresentavam interesse pela mesma. Para colmatar esta lacuna observada neste nível de ensino, foi fundamental apostar em diferentes estratégias que se consideram essenciais para a aprendizagem da linguagem escrita mas, destacamos a aposta no trabalho a partir da escrita do nome e, progressivamente, de outras palavras, para chegar à escrita de textos, com a finalidade de promover a evolução de conhecimentos nesta área por parte das crianças. Como sabemos, o nome está intimamente ligado com a construção da identidade da criança e, por isso, tem valor afetivo para ela, sendo uma estratégia crucial para iniciar as primeiras aprendizagens neste âmbito. Para além desta estratégia, foi fundamental considerar outras estratégias que foram desafiadoras, significativas e que permitiram a evolução das aprendizagens das crianças.


A sua tese chega a algumas conclusões bastante interessantes. Como é que vê a sua aplicação?
Foram várias as conclusões, desde logo, que é possível as crianças aprenderem a partir da escrita dos seus nomes e dos seus colegas, em que as crianças analisam as letras, fazem comparações entre as mesmas e, até mesmo aventuram-se a escrever novas palavras; que ao adotar estratégias significativas motiva as crianças nos diversos trabalhos; que ao possibilitar às crianças o contacto com materiais do dia-a-dia, suportes de escrita, como: revistas, jornais, cartas, entre outros, possibilita uma maior compreensão dos seus conteúdos e da sua importância na sociedade; que é fundamental dar às crianças oportunidades para determinarem o que querem fazer e como, ou seja, permitir que sejam elas a decidirem alguns dos seus trabalhos, mas claro, sempre com o acompanhamento do educador/professor; que é possível envolver a comunidade envolvente e a família das crianças nas diferentes aprendizagens, motivando-as nos diferentes trabalhos; que o facto de a criança se sentir segura e acarinhada pelo educador/professor ajuda-a a enfrentar os seus medos e permite que esta evolua nas suas aprendizagens e, na sequência de uma pequena investigação, onde foram entrevistados educadores e professores, verificou-se que alguns profissionais fazem a abordagem à leitura e à escrita quer numa perspetiva de preparação ou prontidão para a leitura, quer numa perspetiva de literacia emergente. Estas foram as conclusões mais evidentes de todo o trabalho realizado, mas claro ocorreram outras pequenas conclusões e que, não deixaram de ser pertinentes, mas exigem um trabalho mais cuidado e reflexivo. A partir das várias conclusões apresentadas será possível, num futuro próximo, adotar as estratégias que mais evidenciaram resultados significativos de forma a ser possível, no contexto real de trabalho e tendo sempre em conta as características específicas das crianças, realizar um trabalho onde as crianças possam evoluir nas suas escritas, motivando-as a escrever com gosto, adotando as estratégias que se enquadram na perspetiva de literacia emergente, que evidenciam resultados mais significativos e adequados para o processo de aprendizagem da escrita.


Mónica, pretende continuar a investigar na educação? Qual é o próximo passo?
No meu ponto de vista, o verdadeiro educador/professor é aquele que nunca deixa de investigar, que é curioso e que tem o desejo de saber, sempre, algo mais sobre as suas crianças e tudo o que as envolve, e por isso, é claro que pretendo investigar. O próximo passo, se for possível no nosso país, será trabalhar na área de Educação e continuar a investigar o que motiva as crianças nas diferentes aprendizagens ou as estratégias mais adequadas, não limitando-me à área da escrita, mas sim refletindo sobre as diferentes estratégias a adotar nas diferentes áreas de conteúdo, pois considero que a motivação é a base para todas as aprendizagens.

Parabéns, Mónica, e votos de muito sucesso no futuro!
Obrigada.

2014/06/04

Mestrado: Uma caracterização dos teores de Azoto no leite (AUL/MUN) nas explorações leiteiras da Ilha Terceira

Diego Pereira Aguiar realizou as provas de defesa do relatório de estágio do Mestrado em Engenharia Zootécnica no passado dia 4 de junho, sob o título "Uma caracterização dos teores de Azoto no leite (AUL/MUN) nas explorações leiteiras da Ilha Terceira." As provas foram avaliadas por um júri presidido pelo Doutor José Estevam da Silveira Matos, sendo vogais o doutor Oldemiro Aguiar do Rego e a doutora Maria de Lurdes Enes Dapkevicius.

Olá Diego. O que o levou a ingressar neste mestrado? Como surgiu o tema da sua tese de mestrado?
Olá. Desde já agradeço a oportunidade de participar nesta entrevista e divulgar os principais aspetos sobre a minha tese de mestrado. Aproveito ainda para parabenizar essa iniciativa de entrevistas aos mestrandos prestes a defender suas teses, visto a valorizar o trabalho realizado pelos mesmos.

O que me levou a ingressar no Mestrado em Engenharia Zootécnica foi sobretudo o gosto pela produção animal e tudo o que rodeia esta temática, além de querer prosseguir o caminho que havia percorrido até então (licenciatura em Ciências Agrárias - Ramo Zootecnia) com o fim de enriquecer a minha aprendizagem e de obter um melhor currículo. O tema da minha tese teve origem principalmente no grande interesse que tenho na temática qualidade do leite e nutrição animal. Para adicionar, penso que é um tema que não tem sido dado a devida importância por parte dos produtores de leite do Açores, que por sua vez poderiam beneficiar muito com a consulta dos teores de ureia no leite das suas vacas. Não devo deixar de referir o enorme auxílio que o Professor Doutor José Matos teve na orientação da escolha deste tema. 

A sua tese chega a algumas conclusões bastante interessantes. Como é que vê a sua aplicação? 
Sim obtive conclusões mesmo muito interessantes. Algumas ideias defendidas por autores citados na minha bibliografia foram refutadas e outras estiveram de acordo. Além disso, obtive bons resultados por parte das explorações de leite da Ilha Terceira, evidenciando que a maior parte das mesmas obtiveram um bom aproveitamento da proteína da dieta fornecida às suas vacas. Para adicionar, obtive conclusões muito interessantes acerca da influência das condições climatéricas sobre os teores de ureia encontrados no leite das diversas explorações da ilha. Penso que os lavradores da nossa Ilha, bem como dos Açores, devem passar a consultar com mais frequência os níveis de azoto ureico no leite das suas explorações, com o fim de fornecer uma dieta mais equilibrada e evitar desperdícios de proteína na dieta ( ou desperdícios de azoto sob forma de adubo), ajustando os teores deste nutriente às necessidades das suas vacas. É preciso ainda ter em atenção a influência que clima possui na variação dos valores de ureia encontrados no leite, visto que altera de maneira severa o valor nutricional das ervas das pastagens.

Pretende continuar na investigação? Qual é o próximo passo?
Para já não sei responder essa pergunta. Tudo vai depender da importância que esta temática terá no futuro para os lavradores da nossa Região. Se o interesse sobre o tema aumentar poderá ser um bom indício de que minha tese e minhas ideias tiveram sucesso e, portanto me dará grande motivação para continuar a investigação.

2014/04/29

Apresentação do livro "Cuidar de idosos: uma prática co-construida"


No próximo dia 1 de maio, a enfermeira e professora doutora Rosa Carvalhal, da Escola Superior de Enfermafem de Angra do Heroísmo, irá apresentar o seu livro "Cuidade de Idosos - Uma Prática Co-construída". Em discurso direto, tentamos antecipar o que nos revela este livro.

De que trata “Cuidar de Idosos”?
Trata da procura de respostas para um melhor cuidar dos idosos em situação de doença em particular no que se prende com as relações interpessoais idosos, família e enfermeiros, ou seja, incide sobre a problemática da enfermagem geriátrica. Resulta de um estudo etnográfico, que teve como finalidade a compreensão da cultura relacional do contexto hospitalar geriátrico.
Pretendi compreender o que necessitam; o que querem e o que tem, os idosos e famílias no que se refere à dimensão relacional dos cuidados de enfermagem.
Numa sociedade que envelhece, cujos maiores clientes dos serviços de saúde são idosos, muitas questões se colocam: como se constrói essa relação? Depende de quê? Ao que leve a mesma? Quais os contributos dessa para os idosos, famílias e enfermeiros? Qual a cultura relacional destes serviços? O que contribui para a mesma? Esta “enforma” os profissionais de saúde em presença?
Em análise estão os factores de diferenciação da relação de enfermagem geriátrica e a sua caracterização, constituindo os elementos que levam à sua sustentabilidade como prática peculiar.

A temática relacionada com a Gerontologia está bem presente nos currículos da licenciatura em Enfermagem?
A temática geriátrica, poder-se-á considerar que já tem uma presença significativa nos currículos da licenciatura em enfermagem. No que se refere à gerontologia já não se poderá dizer o mesmo. Esta é uma das questões que acredito será completamente diferente no próximo currículo que já nos encontramos a trabalhar.

Cada vez mais considero que mais que formarmos para o tratamento da doença e para a cura, temos de formar para a melhoria da qualidade de vida das pessoas em todas as idades, situações e em todos os contextos onde se encontrem, para dar resposta aos seus projectos de saúde.
O paradigma da cura já não responde aos projectos de saúde das pessoas. Num paradigma humanista, onde a preocupação se centra na qualidade de vida, a formação e contextos de saúde tem de deixar a perspectiva hospitalocentrista que os têm caracterizado e virar-se para os cuidados integrados comunitários; para a promoção da saúde e prevenção da saúde.

Só criando respostas para “dar mais vida aos anos nos podemos orgulhar de ter acrescentado mais anos à vida”.
O que ainda falta fazer nos Açores para se ter um “envelhecimento ativo”?
Se considerarmos o envelhecimento activo como o processo de optimização das oportunidades para a saúde, participação e segurança, para melhorar a qualidade de vida das pessoas que envelhecem (OMS, 2002), facilmente constactamos que se tem vindo a fazer algumas coisas, mas que muito há ainda por fazer.

Considero que se tem vindo a fazer algumas coisas neste sentido, embora as questões de fundo persistam. Medidas como a criação do cartão 60 +, actividades de laser e exercício físico de proximidade, nas diferentes freguesias, as universidades seniores, os programas de turismo senior, os centros de dia…, são exemplo disso.
O que penso que está por fazer e é a transformação da sociedade para estar de acordo com as alterações demográficas actuais, ou seja o desenvolvimento de uma cultura intergeracional e comunitariamente integrada.

Para um envelhecimento activo, na minha perspectiva, passa por criar respostas intergeracionais, integradas, abrangendo um conjunto alargado e diversificado de áreas – social, educacional, saúde, cultura e lazer, habitacional, entre outras - que envolvem a vida das pessoas.
Esta realidade abrange-nos a todos, independentemente da idade, por isso só faz sentido, numa cultura social intergeracional que urge promover para a mudança de mentalidades. Há que repor os idosos no lugar que é deles por direito, como cidadãos. Vê-los como pessoas que tem limitações e potencialidades, tal como acontece em todas fases e desenvolvimento da humano. Que tem muito para dar e não apenas para receber.

Medidas para um envelhecimento activo sem esta cultura intergeracional, serão sempre medidas “avulso” que acentuam o “ghetto” onde se tem vindo a meter as pessoas à medida que envelhecem.
Enquanto se fomentar a visão do idoso como “um peso social, responsável por quase todos os males da sociedade actual”; como “um ser incapaz que há que arrumar” tudo o que se fizer serão sempre medidas ghetantes.

É indiscutível que o envelhecimento demográfico está ai para durar e continuar a acentuar-se. Há que perspectivar esta realidade como positiva e repensar a forma da sociedade viver e se organizar. Esta realidade trás necessidades de redes de suporte diferentes, mas para todos e não apenas aos idosos.

2014/03/18

PERCURSOS - Rosa Carvalhal Silva





PERCURSOS com professora Rosa Carvalhal Silva, da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo

Quem é Rosa Carvalhal?
É sempre difícil falar em de nós, mas vou tentar. Sou a única mulher numa família de 2 irmãos, 3 sobrinhos e dois filhos e, talvez por isso, desde cedo muito reivindicativa para se afirmar neste “mundo masculino”. Este foi o início de um trabalho e maneira de estar na vida que tenho pautado pela defesa da igualdade de género. Tenho tentado pautar a minha vida pela honestidade, valores humanistas e de disponibilidade para os outros.

Profissionalmente, fui enfermeira hospitalar durante 11 anos e sou professora de enfermagem há 23 anos. Tenho paixão pela relação com os outros e sinto-me realizada pessoal e profissionalmente.

O que destaca do seu percurso?
Do tempo em que trabalhei no hospital, destaco duas experiências muito enriquecedoras: as emergências aerotransportadas, pelo desenvolvimento de capacidades de decisão rápida, de enfrentar o imprevisto…, muitas vezes sozinha e a sensação de dever cumprido e de gratificação quando as coisas acabavam bem. A outra, foi a experiência de cuidar de idosos, como chefe de um serviço de medicina, que muito me fez amadurecer e crescer como pessoa e como profissional, fazendo com que a geriatria/gerontologia se mantenha como o alvo preferencial da minha atenção, quer como docente, quer como investigadora.

Como docente, destaco o papel que teve a Pós-Graduação e Mestrado em Ciências de Educação, na mudança de perspectivas pedagógicas e principalmente, na compreensão da complexidade que é o processo de aprendizagem, das muitas coisas que questionava, mas não encontrava a resposta e na motivação para a investigação que perdura até ao presente.

Simultaneamente a especialidade em médico-cirúrgica e o doutoramento em enfermagem, completaram o crescimento das duas dimensões fundamentais que constituem a vida de um professor de enfermagem

Onde se vê em 2020?
Bem não faço ideia. Antes da “coelhada” que por ai anda à solta e acabou com os nossos planos, via-me reformada e a viver em Havana por longas temporadas… Agora, vejo-me a dar aulas, se a dita não nos matar à fome antes…

Mas pelo menos gostava de estar num pais mais alegre, honesto e que FUNCIONE… Que tenha a coragem de fazer uma revolução (à islandesa) em vez de andarmos a barafustar sem fazer nada…

O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?
Integrar um projecto de saúde e/ou docência por um período de tempo em Timor e Angola

2014/03/12

PERCURSOS: João Guilherme Batista





PERCURSOS com professor João Guilherme Batista, do Departamento de Ciências Agrárias


Quem é João Guilherme Batista?
Sou um homem bem comum, tranquilo com o passado, com os pés assentes no presente e confiante no futuro.

O que destaca do seu percurso?

Não me limitei a existir, tentei viver e trabalhar à minha maneira, semeando e cultivando ideias e vontades, indiferente às indiferenças, colhendo com orgulho o fruto de algumas das minhas aspirações.

Onde se vê em 2020?


A viver outros sonhos. Há vida para além do campus ...

O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?

A encerrar uma janela e a abrir uma nova porta, para o resto da minha vida.

2014/03/08

PERCURSOS: Moreira da Silva




PERCURSOS com professor Moreira da Silva, do Departamento de Ciências Agrárias

Quem é Moreira da Silva?

Aqui está uma pergunta difícil que ninguém me tinha feito antes. Sou o Fernando para os amigos e muitos outros nomes … para os outros. Sou Pai quatro filhos e tento a cada dia ensinar-lhes a serem bons. Tento não gastar muito da minha vida a organiza-la …. e tenho a exacta noção da minha pequenez. Em termos profissionais sou Zootécnico e Professor, por vocação.

O que destaca do seu percurso?
A nível académico… penso que é isso que poderá interessar, tenho feito o possível. Penso que o mais importante a este nível é ter conseguido granjear o respeito por parte dos meus pares. Penso que consegui, dentro do possível, fazer escola dentro da casa. Este é sem dúvida o aspecto que mais me orgulho a nível profissional.

Onde se vê em 2020?
Neste momento, é impossível um horizonte tão longo. No que depende de mim, a Casa é a minha bandeira. Espero que as coisas acalmem e a poeira assente e que cada um de nós seja reconhecido mais pelo mérito.

O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?
Antes, quando a idade da reforma era atingida numa fase ainda activa da vida, imaginava-me a fazer um curso de pintura e um retiro espiritual de um ano no Tibete. Agora partilho a preocupação de todos em que chegar à reforma pode não significar ter reforma… assim avançamos de um dia para o seguinte.

2014/03/06

PERCURSOS: Miguel Tavarela



Quem é Miguel Tavarela?

Fiz os meus estudos em Física e Matemática e lecciono disciplinas destas áreas no Departamento de Ciências Agrárias. O que me dá mais prazer é aprender. Sou por isso um eterno estudante e, melhor ainda, pagam-me para isso! 


O que destaca do seu percurso?

Todas as experiências , boas ou más, acabam por nos influenciar e nos moldar. Mas se tiver que destacar uma etapa do meu percurso será sem dúvida os anos passados no Reino Unido. Foram fundamentais para a minha formação académica mas principalmente como experiência pessoal muito enriquecedora. Aqui viajei por todo o mundo sem sair do sítio.


Onde se vê em 2020?

Vejo-me numa Universidade dos Açores e num departamento de Ciências Agrárias mais sólidos e organizados e com uma qualidade de ensino e investigação crescente. Vejo-me numa universidade e numa região onde a investigação pura é tão valorizada como a investigação aplicada. 


O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?
Como de promessas estamos todos fartos, falarei das coisas quando as fizer, informando o blog Há Vida no Campus em primeira mão.

2014/03/01

PERCURSOS: Timothy Lima




PERCURSOS com professor Timothy Lima, da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo

Quem é Timothy Lima?
Enfermeiro, docente da Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo, equiparado a Professor Adjunto. Coordenador Departamental de programas de mobilidade ESENFAH/UAC Coordenador do Ensino Clinico de Cuidados Continuados e Promoção da Qualidade de Vida Coordenador do 4ºCEGLE.

O que destaca do seu percurso?
Aqui poderia destacar várias coisas...mas de momento só me surge aquilo que está a decorrer presentemente na minha vida profissional. Tendo em conta a sua importância e dificuldade, a realização do meu PHD em Ciências de Enfermagem tem sido algo que tem marcado o meu percurso enquanto profissional e como pessoa. A minha tese intitula-se "A implementação de de um programa de formação em Cuidados Paliativos no ensino Pré-Graduado em Enfermagem- Um projecto de Investigação-Acção".

Resumindo, de uma forma simples, foi formatada e leccionada uma formação, com base nas recomendações para o ensino de Cuidados Paliativos, da EAPC(European Association of Palliative Care) e da sua congénere APCP (Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos), considerando de igual forma, uma proposta desenvolvida pela Doutora Sandra Pereira. Deste modo, pretendemos estudar as repercussões de um programa de formação em cuidados paliativos junto dos estudantes do curso que confere o grau de licenciado em enfermagem, mais concretamente a nível do Ensino Clinico de Cuidados de Enfermagem ao Adulto e ao Idoso com Problemas Médicos e Cirúrgicos, que decorreu o 2ºano deste curso na, Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. É nosso intuito investir na formação em cuidados paliativos, nestes estudantes de enfermagem, de modo a assegurar que os futuros enfermeiros sejam capazes de garantir uma boa prestação de cuidados às pessoas em fase terminal de vida e seus familiares. Os Cuidados Paliativos, segundo relatórios oficiais de identidades como a Organização Mundial de Saúde(2013) e a World Palliative Care Alliance(2014), é uma área, que apesar da sua reconhecida importância, em que grande maioria dos profissionais de saúde, em todo o mundo, têm pouco ou nenhum conhecimento dos princípios e práticas de cuidados paliativos. Todas as escolas profissionais na área da saúde, a nivel de ensino pré-graduado, devem incluir formação básica em cuidados paliativos, devidamente formatada, assim como educação profissional continuada, incluindo cuidados paliativos.

Outro projecto que destaco, que ando a desenvolver actualmente, em parceria com o Prof.Doutor Alexandre Rodrigues, é um estudo intitulado "A vida de um cuidador informal", que tem como objectivo principal efectuar um registo fotográfico das actividades diárias do cuidador informal no seu domicílio, centrando-se no contacto estabelecido com a pessoa que se encontra ao seu cuidado. Desta forma, vejo conciliado a enfermagem, com um passatempo meu, a fotografia.(www.timothylima.com)

Onde se vê em 2020?
Gosto daquilo que faço e aprecio as coisas simples, mas produtivas..., mas imagino-me onde estou actualmente, mas num panorama melhorado. Muito sinceramente gostaria de ver a UAC, atingir um patamar estável e de comunicação aberta, projectando as Escolas de Enfermagem ao máximo do seu potencial. Acredito nisso.

O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?
Concluir o meu PHD!eheh!Que será muito em breve...À semelhança do projecto na área dos cuidadores informais, gostaria de contribuir, para a enfermagem, e para o ensino da mesma, com o desenvolvimento de áreas alternativas, que dão outra perspectiva da prestação dos cuidados e do papel importante que o profissional de saúde/estudante pode assumir neste contexto.

2014/02/28

PERCURSOS: Rui Elias


Quem é Rui Elias?

Um Lisboeta de nascimento e de coração, mas também Açoreano, por adopção e amor. Doutorado em Ecologia Vegetal pelo Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores e Docente Universitário desde 1999. Tem 41 anos e vive nos Açores há 23. É investigador no Grupo da Biodiversidade dos Açores (GBA).


O que destaca do seu percurso?

Talvez o facto de até agora ter conseguido conciliar uma intensa actividade docente com a investigação. Ter concluído o Doutoramento com 33 anos sem ter qualquer dispensa de serviço docente ensinou-me muito. Para além disso, sempre participei activamente nas actividades de gestão da Universidade, tanto no antigo Senado, como no Conselho de Departamento e na Comissão Científica, mas também nas Comissões Pedagógicas de cursos. Ter contribuído para a criação do Mestrado em Engenharia e Gestão de Sistemas de Água (recentemente creditado pela A3ES) é igualmente um motivo de orgulho. A integração no GBA foi um passo muito importante para a minha evolução científica, permitindo o desenvolvimento de linhas de investigação muito interessantes e multidisciplinares.


Onde se vê em 2020?

Sinceramente não sei! Nos tempos que correm não podemos ter certeza de nada. Onde eu gostaria de estar? Num local onde se premiasse o esforço daqueles que mais e melhor trabalham! Num local governado por gente honesta e competente! Num local com pessoas alegres e motivadas!


O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?

Ter mais disponibilidade para investigação e aumentar a produtividade científica. Conseguir melhorar a articulação entre docência, investigação e extensão. Um bom Professor Universitário deve ser também um bom investigador. Por outro lado, a Universidade tem de estar virada para o exterior pelo que tudo o que possamos fazer, para mostrar o nosso trabalho e contribuir com ele para a melhoria de vida da nossa sociedade, nunca é demais.

2014/02/20

PERCURSOS: Félix Rodrigues



PERCURSOS com Prof. António Félix Rodrigues, do Departamento de Ciências Agrárias

Quem é Félix Rodrigues?
Uma pessoa com dificuldade em definir-se pois admite que no dia seguinte já não é igual ao dia anterior. Não me refiro ao processo físico de envelhecimento, mas à forma de encarar a vida e ver o mundo.

Nasceu na Vila de São Sebastião na ilha Terceira no seio de uma família de agricultores (não confundir com lavradores), por isso mesmo, de origem rural.

Sempre gostou do estudo, talvez por ser curioso e como tal, pretendeu seguir estudos na área de Física, em Lisboa, quando terminou o 12º Ano de Escolaridade na então Escola Secundária de Angra do Heroísmo.

Terminado o curso decidiu voltar para os Açores, apesar de ter tido várias oportunidades de ficar a trabalhar em Lisboa. Havia muito pouca gente formada em Física na altura.

Foi convidado para concorrer à vaga de Física/Mecânica aberta no Departamento de Ciências Agrárias, quando cá chegou. Como tinha acabado de entrar no quadro da Escola Secundária Padre Jerónimo Emiliano de Andrade, não o fez. Leccionou durante dois anos nessa Escola, na Escola de Enfermagem de Angra do Heroísmo e no Conservatório Regional de Angra do Heroísmo.

Alertado pela segunda vez para o concurso Física/Mecânica no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, decidiu concorrer e aí ficou colocado.

A partir daí fez todo o processo académico normal.

Entende que além de ser universitário, também é cidadão, por isso sempre teve uma participação política pública, primeiro independente, e nos últimos anos partidária.

O que destaca do seu percurso?
Muitas propostas de investigação que não foram consideradas pelo poder público e até mesmo universitário e que hoje em dia, se demonstram com pertinência, como por exemplo a criação de uma biofábrica para a esterilização da Ceratitis capitata e do escaravelho japonês, que só mais tarde foi implementada na Madeira, a proposta de um Centro de Radioterapia na Terceira em 1989, rejeitado pela própria administração do hospital e Governo Regional, a identificação pela primeira vez e sua caracterização das poeiras oriundas do Deserto do Saara, a colaboração com o United States Geologycal Survey e NASA e refefência ao meu trabalho científico na Scientific American.

Considero existirem ainda muitos outros aspetos do meu trabalho que merecem destaque, mas foram ou são alvo de crítica política acéfala, como por exemplo:

-Análise da contaminação da poluição por hidrocarbonetos na Praia da Vitória – informação pública – Denúncia pública – análise do trabalho de caracterização da contaminação das águas e aquíferos na Praia da Vitória realizado pelo LNEC – informação pública – denúncia públia – debate público – debate político……

-Descoberta do Complexo Megalítico da Grota do Medo – Comunicação às Entidades responsáveis – não aceitação das conclusões do relatório preliminar da DRC – início de contactos e estudo do local – não aceitação de relatório de perita nacional – apresentação pública e científica de trabalhos prévios (centrados em aspetos físicos e geológicos) – não aceitação do relatório da Comissão de peritos nomeados pelo Governo Regional – mais coleta de dados que oportunamente serão tornados públicos, onde certamente se tentará tornar isso numa história inacabada………

Onde se vê em 2020?
A ter o enorme prazer de dar aulas e a publicar os trabalhos mais importantes da minha carreira.

O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?
Ter alguma experiência política como deputado, para entender os meandros da decisão política e poder contribuir para a alteração de algumas situações inaceitáveis da vida pública.

2014/02/18

PERCURSOS: Ana Cristina Palos



Quem é Ana Cristina Palos?

Sou socióloga e docente no Departamento de Ciências da Educação, Delegação de Angra do Heroísmo. Para além da docência tenho dedicado os últimos anos da minha vida profissional ao estudo da realidade social dos Açores, com particular ênfase na área da educação.

Enquanto cidadã procuro ter uma participação ativa na vida comunitária e, sempre que tenho oportunidade, desenvolvo atividades de voluntariado em Instituições Particulares de Solidariedade Social na área da infância e juventude.


O que destaca do seu percurso?

Em especial as pessoas que tenho tido a oportunidade de conhecer e com quem tenho aprendido muito. Destaco, ainda, a oportunidade de lecionar, que é algo que faço com muito gosto, e o facto de ter tido a oportunidade de integrar a equipa de investigação do Centro de Estudos Sociais da UAç e onde estou envolvida em projetos de investigação muito interessantes. Destaco em especial dois: um que está a ser desenvolvido no âmbito do Observatório da Juventude e que incide sobre a caraterização das trajetórias profissionais dos jovens açorianos e o outro, realizado em parceria com colegas do ISCTE e do Stanford Woods (Institute for the Environment), que procura compreender a influência das alterações climáticas na organização social das sociedades insulares. 


Onde se vê em 2020?

Gostaria de estar exatamente onde estou agora e a fazer o mesmo que faço presentemente. Mas gostaria de ver uma Universidade dos Açores mais coesa na sua diversidade territorial e um país mais justo, com menos desigualdades sociais e com mais oportunidades para todos, em especial para os mais desfavorecidos, para as crianças e para os jovens. Gostaria que, enquanto cidadãos, fossemos mais participativos e mais reivindicativos e que tivéssemos mais consciência da nossa responsabilidade na produção do bem-estar social.


O que gostaria de fazer, que ainda não conseguiu fazer, mas que vai fazer?

Um dos meus projetos mais utópicos consiste em criar uma instituição educativa destinada a crianças e jovens que não encontram mais respostas adequadas nas nossas escolas e que, apesar dos grandes talentos que manifestam, são sujeitos a reprovações frequentes. No âmbito das minhas funções de voluntariado tenho conhecido alguns destes jovens e gostava de constituir e integrar uma equipa educativa, com profissionais de diferentes áreas, que desenvolvesse um trabalho pedagógico abrangente que permitisse a estas crianças e jovens sentirem-se aceites, reconhecidos como pessoas e com confiança para afirmarem e aperfeiçoarem as suas competências.