2013/03/05

Professor Avelino de Meneses - A Tripolaridade é a Única Via da Construção da Unidade Necessária no Respeito pela Diversidade Genuína




O Professor Catedrático Avelino de Freitas de Meneses licenciou-se em História na Universidade dos Açores em 1981, tendo logo ingressado na carreira docente. Obteve o grau de Doutor em História Moderna e Contemporânea em 1992, sendo o primeiro aluno da instituição a nela completar integralmente o percurso académico do Ensino Superior.

Foi agraciado com a Grã Cruz da Ordem da Instrução Pública, atribuída pelo Presidente da República (10 de junho de 2011), e com a Insígnia Autonómica de Reconhecimento, atribuída pela Assembleia Legislativa Regional dos Açores (13 de junho de 2011).

Exerceu o cargo de Reitor da Universidade dos Açores de julho de 2003 a julho de 2011.


Numa perspetiva histórica, como se dá o aparecimento da tripolaridade da Universidade dos Açores?
A origem da tripolaridade universitária açoriana é muito mais remota do que se pensa. Tem muito menos a ver com a Universidade, criada em 1976, tem muito mais a ver com a história dos Açores, de mais de meio milénio.

Historicamente, a tripolaridade é uma invenção dos micaelenses. De facto, S. Miguel não tolera a tutela da Terceira, estabelecida em 1766, aquando da instituição da Capitania Geral, que eleva a cidade de Angra à condição de capital dos Açores, em prejuízo de Ponta Delgada, já então o burgo mais populoso e mais rico. Assim, no tempo das lutas liberais, reconhecemos o confronto de duas correntes políticas: a terceirense, que insiste na centralização, em defesa da preponderância angrense, e a micaelense, que defende a emancipação de Ponta Delgada, também da Horta, para suscitar a adesão dos faialenses. Em 1836, a criação dos distritos de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, independentes entre si, e apenas subordinados ao governo de Lisboa, corresponde à introdução da tripolaridade na administração dos Açores, fruto da vitória de S. Miguel e da resignação da Terceira.

O modelo político da tripolaridade persiste até ao advento da autonomia constitucional em 1976, coexistindo com o ensaio das autonomias administrativas de 1895 e 1928, também com o novo estatuto dos distritos autónomos da década de 1940. Aliás, em 1932, o autonomista micaelense Francisco Athayde Machado Faria e Maia defende a bondade do sistema tripolar. Com efeito, considera que a transformação do arquipélago em região una traria graves inconvenientes, por transformar necessariamente a sua capital, qualquer que ela fosse, numa pequena Lisboa, despótica para as outras ilhas e odiada pelas outras ilhas. Por isso, em 1976, a criação da Região Autónoma dos Açores dispensou a existência de um centro e admitiu a repartição dos poderes pelos três burgos históricos tradicionais. A Universidade trilhou o mesmo rumo. Apesar do estabelecimento da reitoria em Ponta Delgada, instituiu polos em S. Miguel, na Terceira e no Faial, com idêntica dignidade. É a única forma de obtenção de um matrimónio feliz entre a união do todo e a especificidade das partes, já que o arquipélago é um império de diversidades, dada a sua repartição por nove ilhas, dispersas por um mar imenso.

Continua a fazer sentido uma universidade regional e tripolar nos Açores?
Não há propriamente universidades regionais detentoras de um objeto de estudo menor que reverta na produção de uma sabedoria inferior. Pelo contrário, o dever de qualquer universidade reside sempre na universalização do saber, mesmo que reportado à dimensão de um qualquer lugar. No entanto, muito importa a devida integração de universidades em regiões, que possuam necessariamente por matriz da sua ação o sentido da história e o carácter da natureza, indispensável na individualização das melhores áreas de estudo e dos melhores meios de intervenção.

Quanto à tripolaridade, é um modelo obrigatório e justo de organização da Universidade dos Açores. Com efeito, considera a tradição histórica, pelo menos a dos séculos XIX e XX, e respeita a fisionomia da natureza, caracterizada pela dispersão. Na academia açoriana de hoje, a tripolaridade é a única via da construção da unidade necessária no respeito pela diversidade genuína. Após a construção dos novos campi de Angra do Heroísmo e da Horta, mas também por força da projeção internacional do DOP e ainda recentemente do destaque do DCA em índices externos de produção científica, a tripolaridade é indestrutível. Mais, durante os 8 anos em que dirigi a Universidade dos Açores, a consolidação da tripolaridade foi um projeto coletivo, mesmo consensual. Para ela contribuíram à cabeça os estudantes, os docentes e os funcionários do campus de Ponta Delgada, que abdicaram da reivindicação de benfeitorias, para que crescessem as novas instalações da Terceira e do Faial. Afinal, uma prova de que nas vivências insulares as causas justas ditam o triunfo da solidariedade sobre a rivalidade.

O maior êxito da Universidade dos Açores consiste, entretanto, na aproximação da nossa atividade a mais ilhas e a mais lugares, sem que isso implique necessariamente a construção de novas infraestruturas ou o acréscimo de custos de funcionamento. A utilização de novas tecnologias e a mobilização de apoios locais constituem as estratégias essenciais. Claro que o projeto não parte do zero. Enquanto reitor da Universidade dos Açores, a propósito de expedições científicas, publicações, conferências e comemorações várias tive a gostosa felicidade de visitar todas as ilhas. A mais grata das recordações talvez tenha sido a presidência, na Câmara Municipal da Madalena, a uma sessão de encerramento de um curso de mestrado, que funcionara na ilha do Pico.

Qual o papel que pensa estar destinado à UAç no processo de desenvolvimento da Região?
A reflexão sobre a utilidade da Universidade no desenvolvimento dos Açores exige ponderação. A Escola, do pré-primário ao secundário, falhou por aceitar funções que competem à sociedade e à família. A Universidade falhará também se assumir responsabilidades que pertencem aos governos. Hoje, fruto da massificação do ensino, uma consequência necessária da democratização do Estado, um curso já não é uma solução de vida, sendo antes um instrumento de construção de uma carreira, que depois exige uma formação contínua e especializada, indispensável no imperativo de mudança de atividade.

A sociedade exige, entretanto, da universidade o reconhecimento da utilidade do conhecimento. É naturalmente uma reclamação justa. No cumprimento de tal propósito, sobressaem três procedimentos: a transmissão de conhecimentos, a exercitação do pensamento e o estímulo da iniciativa, dado que o falhanço de Portugal reside, desde o liberalismo oitocentista, na incapacidade da criação de emprego à margem do Estado.

Alguns engulhos dificultam o cumprimento da missão da Universidade nos Açores. Ao princípio, a precisão da credibilidade, que requeria o reconhecimento das suas congéneres, e a formação de professores, que obrigava a trabalhar em banda larga, aproximaram uma instituição nova e específica do modelo das instituições clássicas e generalistas. Agora, apesar da qualificação do corpo de docentes e de investigadores, ressalta a dificuldade da individualização de áreas de excelência. A crise também não ajuda, por falta de meios e de discernimento. Porém, há sempre um remedeio, suscetível de obter maior conciliação entre o universo da academia e a comunidade dos cidadãos. Concretamente, na definição das atividades pedagógicas e científicas, a sobreposição da análise da procura à consideração da oferta gera maior consenso, também maior conveniência.

Professor, agradecemos a sua presença no 'Há Vida no Campus'. Bem haja!

Islam Transactions by Marwa Faheem


A Dr.ª Marwa Faheem, do Grupo de Reprodução Animal, apresentou uma curta palestra intitulada “Islam Transactions”, no passado dia 2 de Março, em que fez uma revisão dos princípios básicos - pilares do Islão.

Estes pilares são; a fé – professar e aceitar o credo; a oração – cinco vezes por dia; a caridade – que envolve o pagamento de dívidas rituais; o jejum – como forma de união aos que sofrem fome, sobretudo durante o Ramadão e a peregrinação a Meca – se possível, pelo menos uma vez na vida. Foi frisado que o profeta Maomé veio trazer um código de conduta – de boas maneiras, para todos quantos querem viver bem.

Foram dados alguns exemplos de como se espera que um crete muçulmano se comporte, por exemplo, sorrindo a todos e ajudando os que precisam. No final foi ainda acentuada a dimensão de reflexão que tem de ser feita por todos os crentes, na aceitação da linha de conduta que é proposta pelo Corão.


No final da palestra, a assistência propôs algumas perguntas, a que a a Dr.ª Marwa Faheem respondeu, permitindo uma interessante troca de ideias.

Rosalina Gabriel

Pobreza Adentro - Análise de testemunhos de pobreza nos Açores, 2013


Este trabalho pretende analisar os testemunhos de pobreza nos Açores. O objectivo é entender a nossa culpa, pessoal e colectiva, no sofrimento de cada pobre. O método é escutar testemunhos, perceber as atitudes e esses testemunhos induzem e, finalmente, estimular reflexões que ligam as atitudes ao sofrimento de cada pobre. As conclusões são necessariamente de esperança de que atitudes mais atentas e os gestos que delas resultam atenuam a pobreza.

Universidade dos Açores, Angra do Heroísmo, 17:00, 8 de Março de 2013, na Sala que Reflete a Vida.

Tomaz Ponce Dentinho.

Vice-Presidente do Governo - Conversa sobre a Competitividade da Economia Açoriana

Teve início no dia 4 de Março a II Edição do Late Night Chat, com a presença do Sr. Vice-Presidente do Governo Regional dos Açores. A sessão decorreu em ambiente de aula, na sala 3.7 do Edifício Pedagógico do Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores.


 A conversa teve como mote a Competitividade da Economia Açoriana, tendo o Vice-Presidente apresentado as principais medidas constantes na Agenda Açoriana para a criação de emprego e competitividade empresarial, para além de ter inicialmente presenteado a audiência com uma excelente aula de macroeconomia.


A plateia, maioritariamente composta por alunos, que ultrapassavam a centena, teve também oportunidade de colocar algumas questões relacionadas com o tema em análise, que foram prontamente respondidas pelo Dr. Sérgio Ávila.

A iniciativa do Late Night Chat também teve destaque no portal do Governo Regional dos Açores

A próxima sessão terá lugar no dia 11 de Março, versando o tema das Energias Renováveis.

2013/03/03

João Melo investiga como os angrenses vêem e usam a água


Embora com algum atraso, não podíamos deixar de congratular João Melo por ter defendido a sua tese de mestrado em Gestão e Conservação da Natureza, e Oriana Barcelos pela bela reportagem no Diário Insular de 24 de Fevereiro (pgs. 8-9), com fotografia de António Araújo.

A tese, intitulada "Percepções, Atitudes e Comportamentos da População Angrense Face À Disponibilidade de Água do Conselho" foi defendida a 7 de fevereiro, perante um júri presidido pela Doutora Rosalina Gabriel, tendo os Doutores Félix Rodrigues, Emiliana Silva, Ana Arroz e Sílvia Quadros como vogais.

2013/03/02

Ter a audácia de resistir!

A edição de hoje do Diário Insular contém várias declarações de diversas personalidades sobre as últimas notícias vindas a público relativamente à Universidade dos Açores. Aqui ficam algumas delas:

"Não acreditamos que quem dirige a nossa Universidade esteja disponível para retroceder no  projecto de desenvolvimento para os Açores. Não acreditamos que argumentos economicistas nos façam  caminhar para a centralização total da Universidade apenas numa Ilha. É que o caminho deve ser exactamente o contrário. Não acreditamos que reputados Académicos não estejam disponíveis para debater de forma séria o futuro desta tão importante Instituição, e que estejam subjugados aos mais básicos e  simplistas argumentos economicistas".
Berto Messias


“não há Açores nem Autonomia se a ciência não estiver espalhada pelas ilhas”
António Ventura

"Este é o pior contributo que a Universidade dos Açores pode dar ao processo autonómico, porque nega os próprios conceitos de Autonomia e de Região Autónoma" (...) "Espero que haja forte reação contra esta decisão. Estou ansioso por ver o que dizem os departamentos mais afetados, se é que não estão subjugados à reitoria”
Artur Lima

“Não há diálogo entre a reitoria e os departamentos e esse é o grande o problema. Uma proposta deste género cria instabilidade e insegurança, não só no campus de Angra" (...) "a proposta não tem condições para ser aprovada pelo conselho geral da Universidade."
Alfredo Borba

"a proposta de centralização poderá indicar o fim da formação de enfermeiros na Terceira, que já ganhou reconhecimento regional, nacional e internacional." (...) "a Escola de Enfermagem de Angra tem contribuído para o desenvolvimento do Serviço Regional de Saúde. Os serviços da Terceira, Horta e ilhas mais pequenas, aliás, contam com enfermeiros formados, na sua maioria, nesta cidade."
Jesuina Varela


"Quando eu e outros pensámos em uma universidade, foi para os Açores, e não nos Açores. Daí a tripolaridade. E só assim se pode falar de “universidade açoriana”." (...) "O que agora importa é os  açorianos, todos, conjugarem esforços no sentido de salvaguardarem a nossa universidade."
Cunha de Oliveira

2013/03/01

Vice Presidente do Governo Regional apresenta a Agenda Açoriana para a criação de emprego e competitividade empresarial aos alunos da Universidade dos Açores em Angra do Heroísmo



Inicia-se no próximo dia 4 de Março a 2ª Edição do Late Night Chat, evento organizado pelo Departamento de Economia e Gestão.

Esta 2ª Edição será subordinada à Competitividade da Economia Açoriana.

O primeiro convidado será o Vice-Presidente do Governo Regional dos Açores, Dr. Sérgio Ávila, que apresentará a Agenda Açoriana para a Criação de Emprego e Competitividade Empresarial. A sessão iniciar-se-á às 21h45 na sala 3.7 do edifício pedagógico do campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores.

Os "Late Night Chat" são uma série de conversas informais entre personalidades da comunidade local e os alunos, com o objectivo de transmitirem as suas experiências de vida e as suas reflexões sobre o futuro da sociedade em geral e da açoriana em particular, fomentando um debate participativo com os alunos.