2013/04/17

"Açorianos há milhões de anos vêm pela primeira vez à cidade"



Arrancou dia 3 de Abril, no centro de Angra do Heroísmo, uma intervenção urbana inédita na Região. Fotografias macro de insetos exclusivos dos Açores ocuparão, até meados de Junho, fachadas de 12 edifícios nas principais artérias da cidade, com o objetivo de dar a conhecer aos açorianos um património natural único.



Esta iniciativa surge integrada num projeto do Grupo da Biodiversidade dos Açores (CITA-A, UAç), dedicado ao estudo da formação de novas espécies no arquipélago. As espécies fotografadas são únicas e exclusivas da    Região (endémicas), não existindo em mais nenhuma parte do mundo.




A escolha dos insetos, à primeira vista insólita, prende-se com o facto de se tratarem dos seres vivos terrestres com maior número de espécies endémicas na Região, sendo, por isso mesmo, um exemplo paradigmático da biodiversidade única dos Açores. Com uma clara componente educacional de partilha de conhecimento científico com o grande público, pretende-se com esta iniciativa estimular      a incorporação destes insetos no imaginário coletivo açoriano, enquanto parte integrante do seu património identitário. 


Para isso, tornou-se necessário “trazer os insetos à cidade ”já que a maior parte da população desconhece a sua existência e nunca os observou no seu habitat natural, devido às suas pequenas dimensões (muitos com menos de 1 cm) e ao seu “local de residência” preferencial – a floresta nativa açoriana – que se circunscreve atualmente a uns ínfimos 3% do território que ocupava inicialmente na região. O rápido desaparecimento deste habitat (97% em 500 anos) é preocupante quando coloca em risco, e sob ameaça, a existência quer destes insetos quer de tantas outras espécies únicas que desempenham funções fulcrais para o equilíbrio dos ecossistemas.


Alertar para esta situação representa, para a equipa, um primeiro passo para se construir uma comunidade local ambientalmente informada e consciente. Só assim se poderá reforçar o trabalho de conservação da natureza que está a ser implementado na região e trabalhar, num conjunto de programas específicos, que visem a conservação e recuperação dos ecossistemas insulares, através de medidas que permitam desacelerar o desaparecimento de espécies endémicas e controlar espécies invasoras nos Açores.


“Açorianos há milhões de anos” resultou da colaboração entre especialistas em biologia evolutiva, entomologia, psicologia social, design de comunicação e fotografia macro extrema do Grupo de Biodiversidade dos Açores      (CITA-A, GBA) e do financiamento e apoio de várias instituições parceiras: FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia [Proj. PTDC/BIABEC/104571/2008], Associação “Os Montanheiros”, ART – Associação Regional de Turismo, Secretaria Regional dos Recursos Naturais, Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Junta Autónoma do Porto de Angra do Heroísmo e Paróquia de São Pedro, e ainda de todos os cidadãos angrenses que aceitaram o desafio de participar nesta iniciativa disponibilizando as fachadas dos seus edifícios para a exibição deste património natural único.

2013/04/16

Um voluntário


Orlando Guerreiro é aluno de doutoramento no Grupo de Biodiversidade dos Açores, sob o tema "Termite species in the Azores. A holistic approach to the problem" na continuação do seu percurso académico na Universidade dos Açores.

Olá Orlando. Tu entraste para a Universidade dos Açores em 1996, como aluno da licenciatura em Engenharia do Ambiente, mais tarde realizaste o Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza (2006-2009) e agora, novamente como aluno, no Doutoramento em Biologia no Departamento de Biologia da Universidade dos Açores (2013). Nesse período, tens estado envolvido em diversas formas de associativismo, incluindo a fundação do Núcleo de Ambiente da Universidade dos Açores – NAUA (2001) e da 
Associação de Surf da Ilha Terceira (2009), e nos corpos sociais -concelho fiscal- (2007-2009) e mais tarde na presidência da Gê-Questa (2009-2011). 
Como vês o papel dos membros da universidade na dinamização de organizações da sociedade civil?
Os membros da universidade são apenas cidadãos que podem, ou não, fazer parte das organizações. O facto de pertencerem a uma instituição de ensino, enquanto professores, investigadores ou alunos não implica que tenham um maior dever em participar nestas organizações. No entanto, o seu envolvimento é algo positivo enquanto elementos formadores de uma opinião critica na sociedade.

Orlando, tu és também um jovem investigador. A Universidade é frequentemente acusada de não entregar conhecimento útil à sociedade. Que opinião tens dessa imagem?
Apenas posso mencionar o que o grupo da Biodiversidade dos Açores – GBA, do qual faço parte, produz e oferece à sociedade. Embora possa ser considerado suspeito, considero que produzimos bastante informação e que esta tem bastante utilidade para a sociedade. Por exemplo, temos uma equipa bastante dinâmica que envolve especialistas de várias áreas (tais como a educação, fauna marinha e terrestre, botânica, etc.) e que apresentam diversos trabalhos que vão desde o âmbito científico e técnico ao mais informal. Esta informação é muitas vezes utilizada para a tomada de decisão politica ou para a sensibilização do público.

Alguns exemplos são:

A elaboração de mapas de risco, da dispersão de espécies exóticas (térmitas), necessários para a Resolução do Conselho do Governo n.º 2/2011, de 3 de Janeiro de 2011).

E a recente campanha de sensibilização, Chama-lhe Nomes, que está a decorrer neste momento em Angra do Heroísmo que pretende dar a conhecer algumas espécies endémicas ao público e seus recentes nomes comuns. 

Por fim, estás envolvido na recém-formada Surfrider Foundation Azores, como vice-chair. Tiveram uma actividade de limpeza da costa no fim-de-semana passado. Fala-nos um pouco da Surfrider e deste evento.
Este evento correu bastante bem. É já o segundo ano que participamos e o sucesso é sempre garantido. O principal é sempre a quantidade de plástico recolhida. Esta acção ocorreu em simultâneo nas ilhas Terceira, S. Miguel, Santa Maria, S. Jorge e Faial.

A Surfrider Foundation é uma instituição internacional com um núcleo nos Açores. Esta instituição foca, entre vários outros temas, a preservação das ondas e tem, obviamente, uma forte componente ambiental. Alguns dos vários temas podem ser vistos no site da organização.

A Surfrider Foundation Azores procura repercutir as acções internacionais ao nível regional. Procuramos também ser um grupo de pressão para salvaguardar as nossas ondas e zonas costeiras. Recomendo a visita à nossa página do Facebook.

Obrigada, Orlando, e bom trabalho!!

2013/04/15

Contributo da ciência para a gestão sustentável de um recurso - um doutoramento


Maria Helena Guimarães defendeu a sua tese de doutoramento no ramo de Ciências do Ambiente, especialidade em Ordenamento do Território, sob o título "How can science contribute for the sustainable management of natural resource? Praia da Vitória Bay and Guadiana Estuary, a comparative study" no passado dia 5 de abril. As provas foram avaliadas por um júri presidido pelo Senhor Pró-Reitor, Prof. Doutor David Horta Lopes, sendo vogais o Doutor Tomasz Boski, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve, a Doutora Maria Teresa Amado Pinto Correia, Professora Auxiliar com agregação da Universidade de Évora, o Doutor Tomás Augusto Barros Ramos, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, a Doutora Marta Pedro Varanda, Investigadora Auxiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, o Doutor Tomaz Lopes Cavalheiro Ponce Dentinho, Professor Auxiliar com agregação da Universidade dos Açores, a Doutora Helena Maria Gregório Pina Calado, Professora Auxiliar da Universidade dos Açores, a Doutora Emiliana Leonilde Dinis Gil Soares da Silva, Professora Auxiliar da Universidade dos Açores e a Doutora Ana Margarida Moura de Oliveira Arroz, Professora Auxiliar da Universidade dos Açores. O júri aprovou a tese com distinção e louvor por unanimidade.

Helena, como te envolveste na investigação científica? Como surgiu o tema da tua dissertação?

A carreira de investigação é o meu objectivo profissional desde da licenciatura. Como tal, o doutoramento foi uma das etapas deste processo. A carreira de investigação em Portugal é pouco conhecida e valorizada. Contudo, o meu lema é trabalhar para conseguir fazer o que gosto. A atividade laboral ocupa pelo menos 40 horas por semana, como tal, quero passa-las com alegria e vontade. O tema da minha dissertação segue a linha de investigação que me interessa: interação do homem com a natureza, gestão dos recursos naturais, sustentabilidade e ligação da ciência com as restantes esferas da sociedade.

A tua tese chega a algumas conclusões bastante interessantes. Como é que vês a sua aplicação?O meu trabalho baseia-se na interação continuada entre a comunidade científica, gestores e utilizadores dos recursos naturais. Aquilo que investigo é a construção de conhecimento conjunto, para que esse conhecimento tenha significado para todos os envolvidos. Como tal, mais do que o produto final que a minha investigação alcançou, o meu enfoque é o processo, a aprendizagem que daí advém e, a possibilidade de continuação do processo de co construção iniciado.

Desta forma, os resultados primordiais da minha tese de doutoramento são que 1) um processo de co construção é possível, se utilizarmos as ferramentas adequadas e, 2) mediante os desafios atuais, o caminho para a sustentabilidade deve ser feito nesta base. No âmbito da gestão dos recursos naturais é urgente aumentar a interação entre a comunidade científica e os utilizadores dos mesmos recursos para que, em conjunto, sejam encontradas soluções que promovam o bem-estar de todos e a manutenção dos recursos naturais (a base da vida humana).

A tua ligação à Universidade dos Açores não se limitou a este trabalho. Em que outros projectos colaboraste? Há colaborações previstas ou em curso?A minha ligação à Universidade dos Açores começou em 1999 quando estava a decidir a Universidade onde estudar Biologia Marinha. Estive em São Miguel e, durante os meses de verão ajudei um atual amigo no âmbito de um projeto de investigação sobre Vejas. Adorei a experiência mas na altura optei pela Universidade do Algarve pois, as viagens a casa eram bem mais baratas. Em 2004 volto ao Açores, desta vez para trabalhar como voluntária no projeto POPA do Departamento de Oceanografia e Pescas. Outra experiência maravilhosa pelo projeto em si, equipa, contacto com o mar e, com os pescadores açorianos. A ilha Terceira só conheci através do projeto de doutoramento, embora o trabalho com o Grupo para o Desenvolvimento Regional Sustentável tenha começado em 2007. O projeto de doutoramento foi uma aventura e, um momento de aprendizagem importantíssimo. Como sou natural do Porto, de onde parti com 17 anos, começo a acumular uma série de segundas casas. A Terceira é (sem dúvida) uma delas, aqui encontro parte de mim. Atualmente não estou envolvida em nenhum projeto com a Universidade dos Açores, contudo, isso pode mudar a qualquer altura. A área da investigação científica é mesmo assim.

Helena, vais continuar na investigação? Qual é o próximo passo?
Tenho-me esforçado bastante para não interromper a minha carreira de investigação que, para quem conhece o sistema de bolsas de investigação, pode ser difícil. É preciso antecipar o fim de uma bolsa com o início de um novo projeto e, uma nova bolsa. Não somos funcionários públicos , em privados e, quando terminamos uma bolsa podemos ficar desempregados por tempo indeterminado, sem direito a subsídio de desemprego. De forma a antever este cenário preocupei-me em preparar o próximo passo atempadamente. Na atual situação económica, posso dizer que tive a sorte de conseguir. Atualmente sou investigadora Pos-Doc na Universidade de Évora no âmbito do Projecto FarmPath cujo objetivo é o trabalho conjunto, entre investigadores e diversos intervenientes no sector agrícola e atividades ligadas à terra, no delinear de visões para o futuro da atividade na região de Montemor-o-Novo. Estou muito satisfeita por não ter interrompido a minha carreira e, pela oportunidade de interagir com um novo grupo de investigação (www.icaam.uevora.pt) de elevada qualidade profissional e pessoal. Resumidamente estou a criar uma nova segunda casa, esta ainda mais especial pois, será o local onde vai nascer a minha filha.

Parabéns, Helena, e votos de todo o sucesso!

2013/04/14

A fileira do leite - Situação atual e perspetivas futuras! 15 de Abril, às 21h45


A próxima sessão do Night Chat realiza-se no próximo dia 15 de Abril, tendo como tema a "A fileira do Leite! Situação atual e perspetivas futuras!". O evento realiza-se às 21h45, no Campus de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores. 

Nesta série de conversas sobre a competitividade da economia açoriana que o Departamento de Economia e Gestão da Universidade dos Açores tem vindo a promover em Angra do Heroísmo, a próxima sessão terá como convidados:

- José Estevam Matos - docente universitário e investigador;

- Rodrigo Couto - gestor agrícola;

- José Mancebo Soares - administrador da PRONICOL.

O tema é muito interessante, atual e com relevância para o futuro da economia açoriana.

Não faltem!

2013/04/12

Blog do Grupo de Reprodução da Universidade dos Açores


Surgiu no dia 9 de Abril o Blog do Grupo de Reprodução da Universidade dos Açores, que pretende contribuir para "Um olhar sobre o futuro da investigação".

O "Há Vida no Campus" sauda o aparecimento deste blog, que promete ser mais um importante meio de divulgação e aplicação da investigação concebida na Universidade dos Açores.

Façam uma visita ao Blog neste link, deixem os vossos comentários e sigam as novidades.

2013/04/11

Lançamento de livro sobre Educação Ambiental


Lançamento do livro “Abordagens do Ambiente em Contexto Educativo” - Dia 12 de Abril, 20 h, anfiteatro do Campus de Angra.

Temos o prazer de vos convidar para o lançamento do livro “Abordagens do Ambiente em Contexto Educativo”. O livro, editado pela Princípia, inclui cinco capítulos, que resultam de investigação original desenvolvida nos Açores no âmbito dos mestrados em Educação Ambiental e Gestão e Conservação da Natureza, focando a Educação e o Ambiente. A obra analisa a formação inicial de educadores de infância, as perspectivas dos educadores em relação à educação ambiental e aos conteúdos a trabalhar com as crianças em matéria de ambiente, bem como as perspectivas de crianças acerca do ambiente e as soluções que propõem para resolver o problema das alterações climáticas.

A obra foi coordenada por Rosalina Gabriel e é ainda da responsabilidade de 10 outros autores: Ana Moura Arroz, Sónia P. A. Ávila, Paulo, A. V. Borges, Luzia M. M. Cordeiro, Ana Isabel B. Godinho, Pedro Francisco González, Cidália M. G. Pacheco, António Félix Rodrigues, Francisco Sousa e Carina R. M. R. Terroso.

O lançamento contará com a presença do Senhor Secretário da Educação Ciência e Cultura, Doutor Luiz Fagundes Duarte.

Todos são benvindos!

Rosalina Gabriel

The Doit - Um sucesso local


The Doit é um grupo composto por cinco alunos da Universidade dos Açores, Campus de Angra, e cujo sucesso atesta a sua qualidade. Formado por Jimmy Meneses, Fábio Matos, Alberto Furtado, João Toste e Décio Silva, amam o Rock n' Roll, e desenvolvem-no com um estilo irreverente mas com qualidade.

The Doit... Como é que a banda se formou? E como se mantém, perante as exigências que certamente sentem a nível académico?
Fundados por Fábio Matos, Alberto Furtado, Dora Branco, Décio Silva, Manuel Pinheiro e Lisete Silva, em Novembro de 2010, nessa altura movidos apenas pelo gosto pela música. Desde então, já houve algumas alterações nos membros do grupo, devido a estes terminarem o curso e voltarem às suas terras. Além deste problema, uma banda académica também tem de conciliar o tempo dos ensaios com o trabalho, aulas e estudo... Faz com que, por vezes, a banda tenha que "descansar" forçosamente.


Contam actualmente com mais de 30 actuações em 3 anos de existência. Pode dizer-se que são um sucesso, e que construíram uma boa reputação entre a vossa audiência, que se estende para além dos confins da Universidade. Como pesam toda esta experiência?
Os Doit já fizeram parte de alguns dos maiores eventos culturais da ilha Terceira e não só, entre eles o Festvial Azure, Festas da Praia e fizeram parte do cartaz das Festas de Sant'ana (S. Miguel). Infelizmente, a falta de meios é o que nos impede de ir mostrar o nosso trabalho fora do arquipélago dos Açores. A todos os que nos assistem, espalhamos uma mensagem de alegria e motivação enquanto entretemos com os mais variados estilos musicais, e mostramos que os estudantes de Angra do Heroísmo estão activos e tentam deixar a sua marca. Gostávamos de deixar aqui um agradecimento especial aos alunos do Campus de Angra do Heroísmo que sempre nos acompanharam e acarinharam em todos os palcos.


E perspectivas para o futuro? Pensam em continuar nesta forma após o término do curso? Há algum desejo de escrever e interpretar composições originais?
O futuro é muito incerto, o que nos leva a aproveitar ao máximo o que podemos fazer enquanto cá estamos nós (grupo actual) pois não sabemos o que o dia de amanhã nos pode trazer... Mas mesmo sem traçar objectivos a longo prazo, temos alguma esperança de que o futuro pode ser "risonho" para os Doit. No geral, o grupo tem vindo a desenvolver um espírito muito critico e exigente, elevando sempre mais "a fasquia" do pretendido e do que é o melhor para a banda.
 
Os Doit já escreveram temas originais... mas de momento estão à espera da altura mais oportuna para saírem a rua novamente...