2013/11/03

Palestra “Impacto de Infecções Virais na Produção Vegetal e Circulação de Plantas”




O Centro de Biotecnologia dos Açores (CBA) está a promover um ciclo de palestras com o intuito de apresentar à comunidade o trabalho de investigação realizado pela Universidade, esperando desta forma contribuir para uma maior aproximação entre a comunidade científica e a sociedade.

A próxima palestra intitulada “Impacto de Infecções Virais na Produção Vegetal e Circulação de Plantas” será apresentada pelo Doutor Duarte Mendonça, segunda-feira dia 4 de Novembro, às 18 horas no Auditório da Universidade dos Açores, no Pico da Urze, Angra do Heroísmo.

2013/11/02

Entrevista de Tomaz Dentinho publicada na Universidade Federal Juiz de Fora - Brasil


(entrevista disponível neste link)

Em visita à Universidade Federal Juiz de Fora, pesquisador dos Açores propõe conceber projetos em conjunto

O Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada (PPGEA) da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) está recebendo o professor da Universidade dos Açores, Tomaz Lopes Dentinho, com o objetivo de trocar experiências e promover aprendizagem mútua. Coordenador do Grupo para o Desenvolvimento Regional Sustentável da Universidade dos Açores e membro do Centro de Estudos de Economia Aplicada do Atlântico, ele coordena o mestrado em Gestão e Conservação da Natureza. Doutor em Gestão Interdisciplinar da Paisagem, Dentinho é atualmente secretário-executivo da Associação Internacional de Ciência Regional (RSAI).

Em entrevista, ele falou da importância das trocas acadêmicas que estão sendo estabelecidas e do que espera de uma possível parceria com a instituição. Comentou sobre o material aplicado em seu minicurso e se mostrou entusiasmando com o momento acadêmico que atravessa o Brasil, especialmente em relação à ciência.

Como surgiu o contato com a Faculdade de Economia?

Conheci o professor do PPGEA, Fernando Perobelli, com base na ligação da Associação Brasileira de Economia Regional (Aber) com a RSAI. A partir daí, surgiu a possibilidade dessa aproximação entre os cursos de pós-graduação em economia das duas instituições.

Como é seu trabalho em Açores e qual foi a proposta para o minicurso?

Em Açores tenho uma pequena equipe de trabalho com alunos de mestrado e doutorado, além de projetos de investigação científica, atuação na área de prestação de serviços e de análises de impacto ambiental. O Fernando (Perobelli) já tinha visitado Açores, mas essa cortesia da UFJF em me convidar para ministrar o curso de modelos de interação espacial com uso do solo foi o primeiro intercâmbio de fato. Basicamente, trabalhamos em cima dos modelos de interação espacial que funcionam à nível das cidades. Para tal, em uma das principais atividades, tentamos, com a pequena quantidade de dados que conseguimos mobilizar nesse curto espaço de tempo, criar um modelo com caráter espacial para São Paulo e trabalhar em cima dele.

Como foi esse trabalho sobre a cidade de São Paulo?

Tínhamos dados da distribuição de empregos e endereços por zonas da cidade de São Paulo, e sua economia gira, em grande parte, em torno da compra e venda de propriedades. Pedagogicamente, conseguimos chegar a resultados teóricos através de programas de computador, mas ainda não temos um modelo pronto que calibre mais profundamente as rendas e os valores de propriedades. A ideia é propôr soluções estruturais para a dinâmica urbana da capital paulista, bem como entender, em termos pedagógicos, qual é a utilidade dos modelos ensinados no minicurso.

Fizemos também uma atividade para avaliar quais são as diferentes posições dos alunos em relação à Juiz de Fora no que diz respeito à demanda da população. No caso do Brasil, esse momento de manifestações é reflexo da má prestação de serviços públicos, acesso a habitação, educação, saúde, transporte. É um tipo de exercício que serve para envolver as várias perspectivas desse assunto e de alguma forma saber como pode solucionar os problemas, pois muitas vezes as pessoas parecem que estão divergentes mas no fundo estão defendendo a mesma coisa.

Em relação à parceria entre os cursos de pós-graduação, quais são as metas para o futuro?

Para o futuro, conversando com o PPGEA, estamos tentando encontrar caminhos para estreitar os laços entre as instituições, por meio de intercâmbios de pessoas e elaboração de projetos conjuntos. Temos grande interesse nessa troca. O Brasil está investindo muito em ciência e possui universidades de primeira linha no cenário mundial. Aqui é o local acadêmico ideal para estabelecermos essas trocas nesse momento. A vantagem comparativa de Açores é a interdisciplinaridade existente entre economia, planejamento, meio ambiente e tecnologia agronômica. Portanto, temos também a acrescentar àqueles alunos que tenham interesse em conhecer nosso curso.

Como andam essas negociações? O que falta para ser concretizada a parceria?

Qualquer tipo de convênio depende de muitas pessoas. No entanto, mais importante do que a questão orçamentária, é descobrir os profissionais que tenham interesse em fazer parte desses projetos, e que tipo de estudos elas estão interessadas em fazer. A partir daí, podemos estabelecer linhas de estudo em conjunto. Tenho alunos de doutorado que gostariam de passar um período acadêmico no país para construir algum material científico que agregue valores à sua formação profissional, e acredito que o mesmo aconteça aqui.

Qual a importância dessa troca?

Para nós já está sendo muito importante. Para começar, em termos de aprendizagem mútua, é muito facilitador termos um espaço que fala a mesma língua, o que torna o ensino mais simples. Apesar das realidades serem diferentes, procurar o que há em comum é exatamente o propósito da ciência. Portanto, a realidade é diferente, mas a estrutura econômica é parecida e o comportamento das pessoas também. É isso que nos permite utilizar os mesmo modelos aqui, em Açores ou na Índia. A diferença de dimensões territoriais representa algum desafio em termos metodológicos, mas que é igual em termos de comportamento humano. Ou seja, Se tratando do objeto de análise, Açores leva vantagem, pois a ligação entre o homem e o ambiente no espaço menor ajuda a nos orientar melhor economicamente. O que temos certeza é que o ser humano é igual e as diferenças existentes só ajudam a universalizar os modelos que temos. No futuro, esperamos conseguir adaptar os estudos feitos em Açores na realidade da escala geográfica brasileira, especialmente no que diz respeito a racionalização do lixo, da água e energia. Acho que estaremos ajudando bastante se conseguirmos trazer essas ideias para cá.

Outra possibilidade dessa aproximação entre os cursos é a oferta de um novo possível campo de trabalho, já que em Portugal está mais difícil encontrar espaço para os mais novos, mesmo se tratando de profissionais qualificados. Acredito que todos sairão ganhando se conseguirmos inserir profissionais de qualidade que estão sem espaço lá, mas que talvez encontrem aqui no mercado de trabalho brasileiro.

2013/11/01

Renasce o Núcleo de Ambiente da Universidade dos Açores


Herlander Lima, nas suas próprias palavras...
Chamo-me Herlander Lima, tenho 22 anos, sou estudante no 2º ano de Guias da Natureza da Universidade dos Açores - Campus de Angra do Heroísmo.

Sou natural de Palmela (distrito de Setúbal) e sempre fui apaixonado por actividades ligadas à natureza, sendo este um dos principais impulsos que me motivou a ingressar no curso. Estou a residir nos Açores desde Janeiro de 2013 (excepto nos meses de Julho, Agosto e Setembro) e sou actualmente estudante, Presidente da Comissão Executiva do NAUA, monitor de escalada d"Os Montanheiros e trabalhador no Hotel Terceira Mar.

Adoro estar na Ilha Terceira, devido sobretudo à proximidade entre as mais diversas actividades. Num raio de 10 km é possível fazer escalada, ir à praia, acampar, fazer um trilho, fazer surf (estou a iniciar aqui na ilha), ir à universidade (claro!), slackline, entre muitas outras coisas.

Herlander faz slackline

Bom dia Herlander. Com os teus colegas, és responsável pelo renascer do Núcleo de Ambiente da Universidade dos Açores (NAUA). Fala-nos um pouco deste grupo, da sua origem, objectivos, e de como surge este novo impulso.

O NAUA surgiu em 2001, através de um grupo de alunos de Engenharia do Ambiente motivado em procurar resolver/promover/sensibilizar para a resolução de problemas ambientas no Campus da Terra-Chã. Nessa altura foram realizadas diversas actividades, destacando as Jornadas do Ambiente.

Este novo impulso e tentativa de reanimação do NAUA, surge por um grupo mais diverso de pessoas, englobando alunos e professores de diversas áreas e etapas de formação, motivados pela tentativa de dinamização do espaço académico e pela aproximação da academia à comunidade local.

O mandato dos actuais membros, deu início no passado dia 17 de Abril de 2013, sendo que na fase inicial demos prioridade ao tratamento de questões burocráticas, pelo que só recentemente, o NAUA atingiu alguma estabilidade neste sentido.

Recolha não oficial de Lixo do NAUA e amigos na Fajã de Santo Cristo (São Jorge) 
Realizámos até hoje o "Festival Ambientarte" (evento dedicado a crianças no Relvão no âmbito do Dia Mundial da Criança); participação na "Feira do Ambiente" na Praia da Vitória. organização do debate "Angra Ambiente que Futuro 2013" (no âmbito das eleições autárquicas); e realização do "Workshop de iniciação à Micologia".

Queremos e consideramos importante "dar a volta" ao "pensamento negativo" que assola o País e a região e obviamente (principalmente) a Universidade dos Açores. Ficar parado e criticar não é a nossa política e pensamos que a adversidade cria o engenho e que os momentos menos bons, como o que vivemos actualmente, são momentos de oportunidade.


Recentemente o NAUA organizou um Workshop sobre Micologia. Qual a motivação para esta iniciativa? Qual é o balanço que faz?

Esta iniciativa surge através de uma conversa via e-mail entre o Rui Carvalho (actual membro do NAUA e bolseiro de investigação na Universidade dos Açores) e o Professor Paulo Oliveira (Professor na Universidade de Évora; Fundador do Grupo de Micologia de Évora; e Formador no Workshop sobre Micologia). Numa abordagem inicial, verificou-se que o número de cogumelos parecia ser inferior à quantidade esperada, dadas as condições propícias de humidade e temperatura. Ao tentar procurar uma confirmação a esta questão, verificou-se que a investigação na área da micologia nos Açores é quase inexistente.

Workshop de Micologia - Foto de Rosalina Gabriel
Neste contexto, surge a vontade de obter respostas e de avançar com o conhecimento científico nesta área para a ilha Terceira e Açores, nascendo a ideia de criar um projeto de investigação totalmente composto por voluntários, que dedicam o seu tempo livre a recolher e identificar cogumelos silvestres. O Workshop surgiu inicialmente para conseguir fundos para a vinda do Professor Paulo Oliveira, cientista com conhecimentos de micologia bem consolidados, com o objectivo de ensinar e incentivar os voluntários interessados para a aprendizagem nesta área.

O balanço foi bastante positivo, sendo que como resultado do workshop foram identificadas pelo Prof. Paulo mais de uma dezena de novas espécies para os Açores, demonstrando que o potencial científico da micologia na região é imenso.

Workshop de Micologia - Foto de Inês Ribeiro
A ideia agora será continuar a trabalhar em colheita e identificações em diferentes datas e habitats, dando continuidade ao que foi apreendido e abrindo as portas para a investigação dos cogumelos nos Açores.


Quais são os planos do NAUA para actividades futuras? Como vêem o papel do NAUA no seio da Universidade dos Açores, e na comunidade mais alargada da ilha Terceira e Açores?

Queremos com o NAUA iniciar uma criação progressiva de sinergias entre a Universidade dos Açores e a comunidade. Acreditamos ser possível fazer mais e melhor e queremos acima de tudo devolver o interesse dos alunos pelo espaço académico, pela aprendizagem e pela participação activa em prol da instituição.

O nosso papel passará por conseguir passo a passo, avançar nos nossos objectivos, sendo prioridades principais a Universidade dos Açores - Campus de Angra do Heroísmo e a comunidade local. Seria óptimo, conseguirmos uma projecção regional no futuro, porém ainda existe muito trabalho a ser feito nesse sentido.

Neste momento estamos a apostar na criação de uma sede para a associação, o que consideramos essencial para o nosso desenvolvimento e afirmação. Temos algumas actividades programadas, mas ainda não calendarizadas, pelo que preferimos avançar com a divulgação quando tivermos informações mais concretas sobre estas.

O nosso calendário nunca está fechado. Estamos abertos a todos os que se interessem na criação de uma Área Temática dentro da Direcção do NAUA para a promoção de actividades que considerem do vosso interesse e que sejam importantes para a ilha Terceira ou para uma comunidade específica. O NAUA dará o apoio possível para a concretização dos projectos. Fica então o convite, basta que os interessados iniciem um contacto para o nosso e-mail (no fim da entrevista), apresentando as suas ideias/projectos.



Podem seguir-nos no facebook através da nossa página página...

E saber mais sobre o NAUA, associar-se, participar, fazer sugestões, entre outros, pelo mail naua@uac.pt.

Novidades brevemente....

Saudações ambientais,
Herlander Lima

Obrigada, Herlander, pela entrevista, e votos de bom trabalho para o NAUA!

2013/10/31

TAFUA - A Nova Tuna da Universidade dos Açores!


A Universidade dos Açores tem uma nova tuna! Venham conhecer a TAFUA - Tuna Académica Feminina UAç no sábado, dia 2 de Novembro, às 18:00, no refeitório do Campus de Angra do Heroísmo!

2013/10/30

Nuno Martins edita livro em Cambridge


Nuno Ornelas Martins, professor auxiliar com agregação no Departamento de Economia e Gestão, da Universidade dos Açores, 34 anos, acaba de lançar um livro intitulado “The Cambridge Revival of Political Economy”, editado pela Routledge, e que será apresentado na Universidade de Cambridge a 2 de Dezembro.


Qual o objectivo do livro? Qual a sua principal reflexão?
O livro aborda a escola de Cambridge de Economia, mais em particular os autores dessa escola que procuraram recuperar o pensamento económico clássico. A grande diferença entre pensamento clássico e o pensamento actual resulta do facto de na teoria clássica a economia ser estudada como o processo de produção e distribuição do excedente, enquanto na teoria actual a economia é estudada em termos da optimização de recursos escassos. Na teoria clássica o conceito fundamental é o excedente, na teoria actual o conceito fundamental é o seu oposto, a escassez.

Na teoria actual, assume-se que o agente económico procura maximizar a sua utilidade (definida por uma função matemática), sendo os recursos por definição escassos dado que as preferências dos consumidores são infinitas. Assume-se também que as remunerações dos factores se dão de acordo com a sua escassez, medida em termos marginais. Portanto salários e juros (ou lucros) são determinados de acordo com a escassez relativa de trabalho e capital.

Na teoria clássica, o comportamento económico não era descrito em termos matemáticos e exactos como uma maximização da utilidade, mas antes em termos de normas institucionais e hábitos, que levam a um dado consumo habitual por parte daqueles que contribuem para a reprodução do processo produtivo. Na concepção clássica, os salários devem ser suficientes para garantir esse consumo habitual, mantendo a procura efectiva. A parte da produção que não é necessária para assegurar esse consumo habitual era vista como um excedente, que originava as rendas e lucros (ou juros). Para os clássicos, a economia floresce quando esse excedente é usado em actividades produtivas, e entra em crise quando esse excedente é usado em especulação e luxo excessivo.


Numa altura em que grande parte dos países europeus vivem problemas económicos, baseados essencialmente numa perspetiva de que há “escassez” de recursos, a visão que recupera da “teoria do excedente” poderia ajudar a encontrar melhores caminhos para ultrapassar a crise?

Sim. Na perspectiva da teoria económica actual, baseada no conceito de escassez, a conclusão é que os juros deverão ser elevados, porque há escassez de capital, e os salários deverão descer, porque há escassez de emprego (isto é, desemprego).

Na perspectiva clássica, por outro lado, os salários deverão ser suficientes para garantir o consumo habitual que assegura a procura efectiva, portanto não deverão descer em tempo de crise. Para cada empresa individual, poderia compensar baixar os salários mas apenas se as outras empresas não fizessem o mesmo. Mas se todas as empresas e o Estado baixam os salários, há uma quebra global da procura e todos perdem, como explicava Joan Robinson, umas das autoras da escola de Cambridge abordada no livro. Até porque as exportações não são suficientes para assegurar a procura quando as políticas de contracção da procura são seguidas a nível internacional. Portanto as reduções de salário não são solução, devido aos seus efeitos macroeconómicos, que consistem na redução da procura.

A teoria actual é construída pressupondo uma economia de pleno emprego, em que há escassez de recursos que estariam supostamente a ser plenamente utilizados, e casos de crise e desemprego são considerados excepções. No entanto, a situação actual é uma situação de crise e desemprego estrutural, não um desequilíbrio momentâneo, e a teoria clássica explica muito melhor a situação actual do que a teoria económica actual, pois a teoria clássica não pressupõe escassez num contexto de pleno emprego que na realidade não existe.
Além disso, como na teoria clássica o juro resulta do excedente, não é possível manter juros altos quando esse excedente tem de ser reduzido em tempo de crise, e portanto a economia não pode suportar esses juros elevados, sendo necessária (e aliás perfeitamente possível) uma actuação dos bancos centrais e regulação financeira que permita uma redução dos juros. Pode-se perguntar: mas porquê reduzir o excedente em vez de reduzir os salários? A resposta é: porque os salários são rendimento que reentra na economia sob a forma de consumo, enquanto o excedente tende a não ser reinvestido na economia em tempo de crise, e é rendimento que se perde num contexto de crise.

Aliás, o juro é considerado uma remuneração do risco incorrido por quem empresta capital, enquanto o salário é uma remuneração do trabalho. Logo, no momento em que os riscos se concretizam, deveriam ser assumidos por quem supostamente estava a correr riscos e a ser remunerado por isso com juros, não por quem continua a fazer o mesmo trabalho, e portanto deveria continuar a receber o mesmo salário. Senão, gera-se o incentivo para voltar a haver financiamento de contractos ruinosos para o Estado com agentes privados, na crença de que o contribuinte estará sempre cá para cobrir os riscos com o seu salário, ou com o dinheiro da sua educação, saúde e segurança social (que serve para manter juros, lucros e rendas, isto é, a apropriação do excedente, mesmo em circunstâncias de crise em que essa apropriação do excedente não tem justificação).

O conceito de excedente ajuda também a perceber como as políticas europeias têm beneficiado alguns países, que acumulam excedentes comerciais, e levando outros a défices comerciais (ou a ter de reduzir o consumo para reduzir as importações).

Qualquer observador do mundo contemporâneo percebe que este é um mundo em que há abundância e excedentes, e não escassez. Portanto, o problema central é o modo como os recursos estão distribuídos, o modo como o excedente é distribuído e utilizado. Mesmo nos países mais pobres, os casos de fome surgem não pela escassez de alimentos, mas pela má distribuição dos alimentos e recursos, como o Professor Amartya Sen (um autor que tenta também recuperar a teoria clássica) demonstrou num livro publicado em 1981.

Na teoria clássica, não há leis matemáticas exactas que determinam a distribuição num contexto de escassez inevitável, como na teoria actual. Na teoria clássica, a distribuição é uma questão institucional e política, que está aberta a várias soluções.

Em suma, o problema que enfrentamos não é a inevitabilidade da escassez, mas a má distribuição do excedente, que tem sido agravada pelas políticas seguidas. Enquanto a teoria económica continuar a ser construída em torno da noção de escassez, e não em torno da noção de excedente, será muito mais difícil perceber estes factos.


Investigar e reflectir sobre o mundo a partir duma ilha no meio do Atlântico é uma inspiração adicional?
Sim, não há sítio melhor para acabar a escrita de um livro.


Que conselhos daria aos jovens estudantes sobre os desafios da investigação?
Que estejam preparados para usarem o que aprendem sempre como um ponto de partida para descobrirem novas ideias, e não como um ponto de chegada. É mais fácil fazer uma carreira baseada na aceitação acrítica do que aprendemos, mas sem pensamento crítico não há verdadeira investigação.


2013/10/29

"As dinâmicas nas (re)configurações da cultura organizacional. A casa de Infância de Santo António (1858-2008)" - a tese de doutoramento de Sandro Serpa


Sandro Nuno Ferreira de Serpa, nasceu a 24 de julho de 1974, sendo professor auxiliar desde 11 de Julho de 2013, no Departamento de Ciências da Educação da Universidade dos Açores, onde iniciou o seu percurso académico, como assistente estagiário, em Setembro de 2000.
Leciona várias cadeiras em diversos cursos ligadas à formação e prática profissional de educadores e professores, à teoria das organizações, à sociologia da educação e à investigação, entre outras.

No passado dia 11 de Julho, realizou o seu Doutoramento no ramo de Educação, especialidade de Sociologia da Educação, com a prestação de provas de discussão pública, com crítica e defesa, de uma dissertação intitulada As dinâmicas nas (re)configurações da cultura organizacional. A casa de Infância de Santo António (1858-2008), na Universidade dos Açores, sob a orientação do Professor Doutor Jorge Manuel Ávila de Lima, com um júri presidido pela Senhora Vice-Reitora, Prof.ª Doutora Rosa Goulart, por designação do Magnífico Reitor, sendo vogais o Doutor José Manuel Vieira Soares de Resende, Professor Associado com agregação da Faculdade de Ciências e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o Doutor Jorge Adelino Rodrigues da Costa, Professor Catedrático da Universidade de Aveiro, o Doutor Fernando Ilídio Silva Ferreira, Professor Associado do Instituto de Educação da Universidade do Minho, o Doutor Jorge Manuel Ávila de Lima, Professor Associado com agregação da Universidade dos Açores, a Doutora Ana Cristina Pires Palos, Professora Auxiliar da Universidade dos Açores, a Doutora Ana Isabel dos Santos Matias Diogo, Professora Auxiliar da Universidade dos Açores e o Doutor Adolfo Fernando da Fonte Fialho, Professor Auxiliar da Universidade dos Açores. 

Como se envolveu na investigação científica?

A investigação científica, além de ser uma necessidade na carreira académica é uma forma desejavelmente rigorosa e controlada de compreender a realidade que nos rodeia. Este controlo, quer a nível do processo de realização, quer, também, a nível do produto final (escrita) sempre me entusiasmou e cativou apesar de reconhecer que apresenta dificuldades que devem despertar o nosso espírito crítico e fazedor.
Foi com esse espírito que realizei o presente doutoramento na procura de apresentar uma contribuição para o conhecimento sobre os processos de formação e de transformação da cultura, enquanto genericamente formas de ser, de pensar e de agir, mais ou menos partilhadas por um conjunto de pessoas de uma organização enquanto unidade coletiva coordenada (no caso em apreço do tipo educativo).   

 Como surgiu o tema da sua tese de doutoramento?

Antes do mais, devo agradecer a possibilidade que me foi dada de estudar a Casa de Infância de Santo António. Em primeiro ligar procurei compreender a longa duração da organização Casa de Infância de Santo António (fundada em 1858 enquanto Asilo da Infância Desvalida). Em segundo lugar, resolvi enveredar por uma temática que articulasse questões educativas com perspetivas organizacionais, tendo uma certa afinidade emocional com a organização, por tê-la frequentado e por ter tido um familiar que fez parte de algumas das suas Direções. Em terceiro lugar, e não menos importante, ao analisar os olhares científicos centrados na cultura organizacional verifiquei que muitos apresentavam um caráter unidimensional, redutor e simplista ao focar a sua formação e transformação.
      
A sua tese chega a algumas conclusões bastante interessantes. Como vê a sua aplicação?

Na tese, através de uma análise diacrónica que abrange 150 anos, procuro demonstrar que existe uma multiplicidade de fatores que ajudam a entender a cultura de uma organização. Verifica-se que a cultura desta organização sofreu reconfigurações, por vezes de uma forma não linear, para as quais concorreram, ao longo do tempo, quer os contactos estabelecidos com o exterior (na procura de recursos, na tentativa de legitimação das finalidades e atividades aí desenvolvidas e, também, nas influências exercidas nos membros da organização, tudo isto em diferentes contextos sociais), quer, ainda, os contactos acontecidos na organização entre os atores individuais e coletivos.
No final do percurso investigativo, compreende-se que as transformações dos contextos, quer internos, quer externos à organização que foram acontecendo se enquadram numa dimensão espaço-temporal socio-histórica. Deparámo-nos com realidades complexas, cuja singularidade idiossincrática tem de ser considerada e verificada empiricamente e que advém da coexistência, com fronteiras fluidas entre si, de cultura, culturas, subculturas, contraculturas presentes na organização, com variações ao longo do tempo.
Por tudo isto, é percetível a possibilidade de aplicação destes resultados noutras organizações desde que se considere que a cultura organizacional, mais do que um estado, é um processo consubstanciado num equilíbrio híbrido e precário de coordenação coletiva, resultante do conjunto de relacionamentos individuais e de relações coletivas, internas e externas à organização, com maior ou menor intencionalidade, e, em consequência, em permanente redefinição e reconstrução.
A compreensão (a relativa e a possível) desta complexidade é que nos permitirá fugir àquilo a que um grande sociólogo clássico Max Weber refere: ”o curso das coisas torna-se natural quando não nos interrogamos sobre o seu sentido”. Ora, nenhuma organização é uma reificação, mas antes é socialmente construída, pelo que implica considerá-las enquanto processo coletivo social de coordenação, que não é automaticamente dirigido, nem previamente determinado, nem neutro ou natural, mas sim inserido num certo contexto social. Daqui resulta a necessidade de superar, quer a reificação da organização enquanto objeto natural e inevitável, fatalista, quer resultante de um procedimento (pré)determinado, quer, ainda, a sua antropomorfização, que teria desígnios e propósitos próprios extrínsecos à ação humana.
Assim, resulta que, ao investigarmos as reconfigurações da cultura organizacional, temos de considerar, sempre, que se trata de um processo social desenvolvido por atores individuais e coletivos, que reproduz, mas também produz, soluções de integração interna e de adaptação externa. A necessidade de conhecer mais e melhor acerca da temática em causa revela-se imprescindível para procurar ter algum domínio no caminho a prosseguir de uma forma consciente.
Vai continuar na investigação? Qual o próximo passo?

Após este trabalho de longo fôlego, penso continuar a investir na relação entre a cultura organizacional e a ideologia organizacional enquanto fator de legitimação das posições assumidas pelos seus dirigentes. Para esse efeito, procurarei realizar uma comparação diacrónica e sincrónica entre organizações de diversos tipos (educativas e empresariais, por exemplo). Isto sem esquecer outras áreas de interesse primordial de investigação tais como as dinâmicas dos processos de formação e de reconfiguração da cultura organizacional em organizações educativas ou, ainda, os processos de construção da identidade pessoal, social, educativa, profissional, organizacional e cultural.

2013/10/28

Noite das Bruxas no Centro de Ciência de Angra do Heroísmo




O Centro de Ciência de Angra do Heroísmo apresenta a NOITE DAS BRUXAS.

O serão promete atividades assustadoramente divertidas, muitas doçuras e travessuras, cinema e uma noite bem dormida na nossa companhia.

As inscrições já se encontram abertas a crianças com idade entre os 7 e os 12 anos.

A atividade terá inicio às 21h00 do dia 2 de novembro e terminará às 9h00 do dia 3 de novembro.


Centro de Ciência de Angra do Heroísmo
Observatório do Ambiente dos Açores
Estrada Gaspar Corte-Real; 9700-030 - Angra do Heroísmo
Telefone: 295 217 845 | 295 218 462
http://ccah-oaa.blogspot.com
www.centrocienciaah.com
http://oaa.centrosciencia.azores.gov.pt
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