2013/12/03

Vozes do Campus: Joana Ribeiro sobre

Inauguramos hoje um espaço no Há Vida no Campus, preconizado desde a sua concepção, sob o título 'Vozes do Campus'. Neste espaço pretendemos receber contributos de docentes e discentes sobre temas diversos, já que a vida no campus também passa pela discussão intelectual.

Temos muito gosto em apresentar o texto da aluna de Gestão, Joana Ribeiro, sobre uma (re)visão do ensino de Economia nas universidades. Serão muito bem-vindos contributos de outras áreas (havidanocampus@gmail.com).




Há vida no campus (da Manchester University)

No início do ano académico de 2012/2013, estudantes de Economia da Universidade de Manchester assistiam a uma palestra na qual se questionava se os licenciados em Economia estariam aptos ao seu desígnio. Neste evento, economistas de renome discutiam se os estudantes de Economia estariam a aprender o que realmente importa, face à crise financeira de 2008. Este foi o acontecimento que despoletou a criação da “Post-Crash Economics Society”.

De acordo com os seus fundadores, um grupo de estudantes de Economia da referida universidade, esta sociedade teria o objetivo de trazer aquela discussão a Manchester, através de pesquisa, organização de eventos e criação de workshops.

Hoje em dia, esta sociedade já tem plenos direitos, um clube literário, um evento de lançamento encabeçado por economistas de topo a nível mundial, estudantes e apoiantes académicos, uma petição que ganha cada vez mais assinaturas, ligações a uma rede nacional de sociedades económicas e muita paixão e determinação, segundo os próprios, para mudar o estado atual da educação económica.

Mas para a Post-Crash Economics Society este é apenas o início, tencionam que esta sociedade se enraíze no panorama económico de Manchester, promovendo discussão sobre o que é a Economia, o que deveria ser e como deveria ser lecionada.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, do dia 24 de Outubro, Joe Earle, o porta-voz da Post-Crash Economics Society, chama a atenção para as perguntas de escolha múltipla e as questões matemáticas que dominam os primeiros anos de Economia, afastando os alunos da leitura e dissertação escrita, características de disciplinas como a “História do Pensamento Económico”. Para Earle, como consequência os estudantes nunca chegam a desenvolver as capacidades necessárias para terem pensamento crítico, avaliar e comparar teorias económicas, entrando, por isso, no mercado de trabalho com uma falsa crença do que é a Economia e com um conhecimento base limitado à teoria neoclássica.

No entanto muitos alunos da Manchester estudam Economia num contexto interdisciplinar, juntamente com outras ciências sociais, especialmente Filosofia, Política e Sociologia, ganhando assim conhecimento mais amplo que lhes permite um olhar alternativo sobre o fenómeno social.

Assim sendo, a Post-Crash Economics Society preconiza um maior alcance do enfoque teórico, acompanhado pelas ferramentas da teoria neoclássica, mas que ofereça uma maior compreensão sobre o que é melhor para uma Economia, não só o crescimento em termos de lucro, mas de sustentabilidade, equidade e consciência social.

Mas…e nós? Qual a nossa opinião sobre toda esta problemática? Muitos de nós já nos questionámos e já questionámos os nossos professores sobre onde se encontra a Economia à luz da crise de 2008 e de todos os acontecimentos que lhe vêm sucedendo. Na realidade é impossível passar ao lado de toda esta questão, visto encontrarmo-nos num dos países mais abalados por esta crise que todos os dias se repercute na nossa vida.

Saliento também, as discussões ricas e algumas vezes inflamadas que esta questão tantas vezes desencadeia nas nossas aulas, ainda que por imperativos programáticos sejam assuntos apenas trazidos a lume quando tentamos contextualizar aquilo que aprendemos. Louvo os nossos professores que permitem que façamos estas incursões extra-programáticas mas tão pertinentes… e questiono também, o porquê de serem extra-programáticas?

Compreendo a dificuldade de se modificarem planos de estudos já alterados com a revolução do Processo de Bolonha, daí, que na minha perspetiva, como aluna do Departamento de Economia e Gestão da Universidade dos Açores, gostaria de ter um maior enfoque em toda esta questão, com a promoção de argumentações, dissertações, palestras e até com alguma produção científica a este respeito. Tal como tem sido apanágio do nosso departamento, enriqueçamos o nosso currículo e opinemos também sobre o que é a Economia.

Joana Morais Ribeiro
Aluna do 2º ano da Licenciatura em Gestão


Bibliografia:
The Guardian, quinta-feira 24 de Outubro de 2013
www.post-crasheconomics.com

2013/12/02

O FIPED Portugal pelos olhos de uma aluna

Jéssica Rocha (esquerda) apresentando "Indicadores de Gestão Pública na Região Autónoma dos Açores" no FIPED Portugal III (2013)

Jéssica Rocha, 20 anos, é finalista da licenciatura em Gestão e membro da filarmónica e da direção da Sociedade Musical e Recreio da Terra-Chã.

Jéssica, participaste no FIPED Portugal III, que decorreu no campus de Angra a 12 e 13 de Abril de 2013 e este ano voltas a participar, desta vez envolvida na organização. O que te levou a participar no ano passado? Como foi a experiência de investigação?

O desafio foi colocado pelo professor e pela minha colega que fizeram o trabalho comigo. Achei interessante logo à partida, mas sabia que daria algum trabalho, e como eu gosto de desafios resolvi aceitar, assim também poderia adquirir algumas competências que o curso por si só não me iria trazer.

Para além de todos os conhecimentos que fui adquirindo ao longo da investigação relativamente ao tema em causa, o mais desafiante foi realmente falar em público, e na presença de investigadores. O que acabou por se revelar uma experiência importante para o desenvolvimento desta competência que eu considero essencial na área da Gestão. Também a “avaliação” que os investigadores presentes fizeram no fim da apresentação, ajudou-me a melhorar para uma próxima apresentação no futuro.


Quanto ao evento em si, presumo que gostaste, já que aceitaste o desafio de passar para a organização. Quais foram os aspectos que mais gostaste? O que gostarias de ver a acontecer neste ano?
Alguns dos aspetos que mais me cativaram foram, por exemplo, a variedade de trabalhos apresentados nas diversas áreas por estudantes de licenciatura ou mestrado integrado, o que demonstra que os estudantes realmente estão a despertar cedo para a investigação e de certa forma contribuir para que um aluno de Gestão, como eu, saiba o tipo de trabalho que os colegas de ciências farmacêuticas, ou de ciências da educação desenvolvem, pois cada vez mais é importante a interação entre os diferentes cursos, e as diferentes áreas de estudo.

Daí que um dos fatores que me levou a passar para a organização, foi tentar cativar os meus colegas de curso para uma eventual participação no FIPED IV, e era realmente uma das coisas que eu gostava de ver acontecer este ano.


Estás a planear apresentar trabalhos de investigação em 2014? É difícil conciliar a investigação com as actividades académicas normais?
Sim, é uma das coisas que eu gostava de fazer.

Quanto à dificuldade de conciliação com as atividades académicas normais, realmente exige um esforço extra, tendo em conta que, tal como aconteceu comigo no ano anterior, o trabalho não está inserido em nenhuma unidade curricular do curso, e neste sentido é uma investigação extracurricular, mas não há nada que não se faça, quando se tem vontade, e quando se gosta, acho que é só uma questão de organização da agenda, e não deixar que as coisas se acumulem.

Finalmente, recomendam o evento aos vossos colegas?
Sim, acho que é uma ótima experiência participar neste tipo de eventos, fazendo uma apresentação, ou mesmo só para assistir. É realmente um ótima experiência, pois permite desenvolver um trabalho de investigação numa área à escolha, permite uma interação com investigadores que nos ajudam e nos transmitem formas de melhorar e permite, tal como eu já disse, interação entre cursos, e adquirir competências de comunicação. Para aqueles que não pretendam desenvolver nenhum trabalho de investigação, a assistência é muito importante, pois o FIPED não é apenas um Fórum onde se apresentam trabalhos de investigação, mas também promove oficinas nas diferentes áreas, mesas redondas, e além disso oferece a noite cultural, onde se pode conviver de forma mais informal.


Jéssica, obrigada pela entrevista e votos de bom trabalho!

2013/12/01

Palestra - "EFEITO DO AUMENTO DE DIÓXIDO DE CARBONO NOS ORGANISMOS MARINHOS"



A próxima palestra organizada pelo Centro de Biotecnologia dos Açores decorrerá na segunda-feira, dia 2 de Dezembro, às 18 horas no Auditório da Universidade dos Açores, no Pico da Urze, Angra do Heroísmo:

• “EFEITO DO AUMENTO DE DIÓXIDO DE CARBONO NOS ORGANISMOS MARINHOS

- será apresentada pela Doutora Joana Barcelos e Ramos (Centro de Investigação e Tecnologias Agrárias dos Açores).

Terminou o terceiro ciclo de "Nós e os Livros"



Na passada sexta-feira, dia 29 de Novembro, decorreu a última sessão do terceiro ciclo de "Nós e os Livros," desta feita com o Padre Júlio Rocha, que apresentou "Três Ensaios sobre a Esperança":

  • A Lenda do Grande Inquisidor - Fiódor Dostoiévsky
  • A Metamorfose - Franz Kafka
  • O Velho e o Mar - Ernest Hemingway
O evento foi notícia na página da Diocese de Angra, onde se apresenta um bom resumo desta muito interessante sessão.

2013/11/28

NAUA promove Workshop de Fotografia Digital

No dia 30 de Novembro irá decorrer um Workshop de Fotografia Digital, organizado pelo Núcleo de Ambiente da Universidade dos Açores. A formadora será Maria João Carvalho, que irá focar aspectos técnicos bem como criativos.

EQUIPAMENTO NECESSÁRIO: Máquina fotográfica com modo manual. Pode ser Reflex, Bridge, Compacta, etc. O que importa é que permita que o utilizador controle a medição da luz.

O preço é 30 euros para sócios do NAUA e 35 para não-sócios. Recordamos que as quotas anuais do NAUA, para quem desejar aderir, são de 5 euros.


Poderão contactar a organização atravás de naua@uac.pt ou da sua página no Facebook.

2013/11/27

Conferência "E agora Portugal? O que esperar para a economia portuguesa para os anos do após Troika?" - Professor João Duque


A Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Economistas, com o apoio do Departamento de Economia e Gestão, da Universidade dos Açores, promove no próximo dia 29 de Novembro, pelas 18h15m, uma conferência com o Professor João Duque, intitulada "E agora Portugal? O que esperar para a economia portuguesa para os anos do após Troika?".

O Professor João Duque é professor catedrático e presidente do ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão), da Universidade Técnica de Lisboa.

A conferência é aberta ao público. Realiza-se no Auditório do Campus de Angra do Heroísmo.


2013/11/26

"Nós e os Livros" - "Três Ensaios sobre a Esperança" - 29 Novembro, 21h45




Na próxima sexta-feira o Padre Júlio irá apresentar três grandes obras sob o tema da Esperança. As obras são:

  • A Lenda do Grande Inquisidor. Esta história enquadra-se no seio do grande romance "Os Irmãos Karamazov", de Fiódor Dostoiévsky, e discute ideias sobre a natureza humana e a sua capacidade para agir em liberdade.
  • A Metamofose. Uma das obras mais conhecidas de Franz Kafka e com grande relevância literária ainda hoje, "A Metamorfose" relata a transformação de um caixeiro-viajante num insecto gigante, e todas as consequências que daí advêm na sua esfera familiar.
  • O Velho e o Mar. Esta é a última obra que Ernest Hemingway publicou em vida, e relata a luta entre um velho pescador, conhecido localmente pelo seu azar extremo, e um peixe de grande dimensão. São abordados temas como a honra, a compaixão e a dignidade.

As três obras pertencem, sem dúvida alguma, à grande literatura e exploram a natureza humana em situações limite. Será uma sessão a não perder!