2014/01/15

"Letões gastam últimos lats" - A Europa num Minuto




Programa “A Europa num Minuto”
Emitido a 15/01/2014, 12h10
RDP-Antena 1 Açores

A passagem para o euro na Letónia está a chegar à sua fase final. O lats deixa de ter curso legal hoje, dia 15 de janeiro.

Na quarta-feira, 8 de janeiro, mais de 90 % dos pagamentos em numerário nas lojas foram efetuados apenas em euros e todos os clientes receberam o troco na nova moeda, o que mostra que o setor retalhista da Letónia está bem abastecido de euros.

O lats pode ser trocado gratuitamente por euros, à taxa de câmbio fixa, em 302 estações de correios letãs até 31 de março. Pode ainda ser trocado nos bancos até 30 de junho.
 
A Letónia é o 18º membro da zona euro, juntando-se à Bélgica, Alemanha, Irlanda, Espanha, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Áustria, Portugal, Finlândia, Grécia, Eslovénia, Chipre, Malta, Eslováquia e Estónia.

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Da sala de aula ao contexto clínico




Texto da autoria de Pedro Gonçalves Almeida
Aluno do 2º Ano Enfermagem

Esta reflexão relata a minha primeira experiência de ensino clínico, com pessoas em situação de doença, a forma como lidei com elas e o modo como encaro este processo. Realizei-o em contexto hospitalar e num centro de saúde.

Nos primeiros dias em contexto hospitalar, tinha muitas expetativas, mas não contava sentir um impacto tão forte. Deparei-me com “casos delicados” e senti que, dada a minha inexperiência deveria, não só mobilizar os conhecimentos adquiridos durante o período teórico, como também estar atento às orientações das enfermeiras tutoras. Estas, também me ajudaram a estabelecer relações satisfatórias com os utentes com quem lidava diariamente. 

Aprendi a refletir sobre a construção dos cuidados de enfermagem e familiarizei-me com a dinâmica do contexto hospitalar, o que melhorou o meu desempenho. 

As reuniões que tive com as orientadoras ajudaram-me a perceber as estratégias a adotar, e a sentir-me cada vez melhor para ajudar os utentes, nomeadamente no que se refere ao controle da minha ansiedade. Certos utentes foram capazes de perceber que eu era pouco experiente, mas que me esforçava por dar respostas adequadas às suas necessidades. 

Interessaram-se por mim e, estar com elas, fez-me sentir que é assim o processo de cuidar. Progressivamente, construiu-se uma relação de ajuda que facilitou a minha inserção naquele contexto. 

Tive consciência de que é necessária muita “bagagem” teórica para prestar cuidados de enfermagem e intervir fundamentadamente, pelo que aprofundei os meus conhecimentos conversando com as orientadoras e pesquisando autonomamente. O incentivo motivou-me e fez-me perceber que os meus déficits de conhecimentos podiam ser colmatados, conjugando a experiência com a investigação, visto que em cada caso existem especificidades que requerem uma adequação dos conhecimentos teóricos investigados.

Numa segunda fase do Ensino Clínico e já no centro de saúde, a adaptação foi mais fácil, embora a minha desinibição tivesse de ser um pouco maior para conseguir desenvolver os cuidados de enfermagem adequados às necessidades dos utentes. Neste contexto, foi de especialmente importante a educação para a saúde, pois a partilha de informações potencia mudanças de hábitos capazes de melhorar a qualidade de vida. A simpatia e abertura de alguns utentes que tiveram em atenção as recomendações que lhes foram feitas, fez-me experienciar momentos especialmente gratificantes. No entanto, deparei-me também com pessoas mais relutantes ou com situações mais delicadas que necessitavam de apoio especializado. 

Como tenho vindo a partilhar, o Ensino Clínico é um processo moroso que exige autoaperfeiçoamento. 

Vai-se adquirindo experiência e noção da realidade, para se conseguir ter segurança e iniciativa na prática clínica. O aconselhamento dos orientadores, em contexto clínico, é fundamental para se poder amadurecer e atingir o nível de performance que pretendemos. Embora este processo seja exigente, acaba por ser recompensador, pois está a contribuir-se para o bem-estar dos utentes que necessitam de ser compreendidos e acompanhados bem como para a nossa realização pessoal.

Por fim, afirmo que o Ensino Clínico contribuiu para que desenvolvesse uma noção diferente da abrangência da profissão para a qual estou a formar-me. É evidente que é exercendo os cuidados de enfermagem que se consegue mobilizar os conhecimentos aprendidos e simultaneamente, ao lidar-se com uma diversidade de pessoas, aperfeiçoarmo-nos e alargarmos a nossa perceção da realidade dos cuidados de enfermagem construídos com e para os cidadãos.

Texto publicado no Diário Insular em 09/01/2014

2014/01/14

O que investigam os enfermeiros?





Texto da autoria do Enfermeiro
Professor Luís Miguel Salvador Machado Gomes
Professor Coordenador na ESEnfAH-UAc

Esta questão problematiza uma área de intervenção dos enfermeiros que carece de maior visibilidade social. O principal objetivo da investigação é o questionamento da realidade e a apresentação de orientações para a prática. Mesmo que a prática nunca venha a ser completamente baseada na evidência científica, os esforços deverão ir nesse sentido.

Numa forma pouco estruturada podemos identificar uma pirâmide do conhecimento/produção/consumo da investigação. Na base encontra-se o maior número de indivíduos que consomem e aplicam o seu produto na prática de cuidados. Estão disponíveis inúmeras bases de dados com publicações. O que falta aos enfermeiros é a falta de tempo que requer uma boa pesquisa bibliográfica dirigida por princípios científicos (existem estudos que corroboram esta ideia).

Um segundo nível refere-se à elaboração e participação em trabalhos de investigação. Aqui encontram-se maioritariamente os processo de formação pós-graduada dos enfermeiros e é visível em Portugal o enorme desenvolvimento de competências de investigação nos enfermeiros que realizaram cursos de especialização desde a década de oitenta.
 
Num 3.º nível encontram-se aqueles que possuem a autonomia na conceção de projetos de investigação e na produção de novos conhecimentos essenciais ao desenvolvimento da matriz disciplinar que é a enfermagem.

Hoje já se verifica uma aceitação razoável do paradigma indutivo/construtivista, nas áreas da ciência aplicada e não só do paradigma dedutivo/experimental. Ou seja, é já aceitável que se possam questionar qualidades intrínsecas a processos em vez de representar as complexas realidades reduzidas a números e relações causais. 

De notar uma preocupação em desenvolver conhecimento sobre as pessoas em situações de saúde determinadas, uma vez que apesar de existirem algumas intervenções de enfermagem padronizadas com base na investigação, há ainda um mundo a descobrir sobre como as pessoas vivem a sua vida quotidiana no âmbito do seu projeto de saúde, que é a área de eleição dos cuidados de enfermagem. 
 
Sendo a enfermagem a área disciplinar que aborda a resposta humana à complexidade da saúde/doença do indivíduo, família e comunidade e satisfaz as transições do indivíduo em processos de crescimento e desenvolvimento num continuum de dependência/independência ao longo do ciclo de vida, será certamente neste emaranhado de constelações, relações e interdependências que se situam os interesses da investigação em enfermagem.
 
A investigação desenvolvida um pouco no questionamento individual de cada investigador necessita atualmente de ser alicerçada em linhas de investigação coerentes, financiáveis e ancoradas em núcleos especializados de investigação devidamente avaliados e certificados por entidades independentes.

 No caso da ESEnfAH – UAc existem marcos importantes no desenvolvimento da investigação em enfermagem. Na década de oitenta surgiu nas Jornadas de Enfermagem Açores –Madeira que durante duas décadas uniram os dois arquipélagos e muitos trabalhos de investigação foram partilhados. Em meados dos anos noventa na formação dos docentes no Curso de Pedagogia Aplicada ao Ensino de Enfermagem e desde então integra o elenco de competências destes e de todos os que realizaram a sua formação contínua (ex: Cursos de Complementos de Formação em Enfermagem ou Mestrado em Gerontologia Social). Na segunda década do século XXI surgem os primeiros doutoramentos.

Contudo a investigação não deve ser somente o fruto dos processos formativos. A mesma deverá ser uma prática constante e poderá ter no Projeto ICE (Interreg III B 2005 – 2008 e PTCMAC 2007 – 2013) um modelo do envolvimento de investigadores numa matriz multidisciplinar, multiprofissional, internacional, financiada e altamente elogiada pelo desenvolvimento de trabalhos de investigação, intervenções específicas, estudos de impacto, produção de protótipos, produção científica e o desenvolvimento de uma rede de investigação RICE – Rede de Investigação Científica em Enfermagem Açores - Madeira – Canárias.

Numa breve resposta à questão colocada inicialmente, os enfermeiros investigam tudo o que justifique as suas intervenções no âmbito da prestação de cuidados, gestão, formação, investigação e assessoria na procura constante de uma prática baseada em evidência.
  
Publicado no Diário Insular em 08/01/2014