2014/01/16

Enfermeira e…desportista




Texto da autoria da Enfermeira Ana Júlia Silva

O desenvolvimento no domínio científico de Enfermagem é caracterizado pela necessária afirmação do profissional como um relevante ator social. Neste âmbito, importa realçar que uma das competências do enfermeiro, no domínio da prestação de cuidados, é a promoção da saúde. Feita esta pequena nota introdutória e transpondo para a prática desportiva, esta tem vantagens reconhecidas no desenvolvimento do ser humano, tanto na vertente física, como psíquica e social. 

Mas que ligação estabelecer entre enfermagem e desporto?! Falando um pouco da minha experiência pessoal, desde bem cedo, com apenas 4 anos de idade, iniciei uma modalidade desportiva que me acompanha até aos dias de hoje…a ginástica rítmica. O espírito competitivo que se desenvolve afirma a responsabilidade de fazer mais e melhor, sempre com fair play, pois o desporto deve ser praticado de forma saudável e de acordo com os seus desígnios fundamentais. Também se desenvolve a capacidade de organização, essencial a um adequado rendimento escolar, para além de imbuir um conjunto de princípios. Destaco o respeito, a prossecução de objetivos e a capacidade de endurance.

Agora, na qualidade de profissional de saúde, como enfermeira de formação, vejo e revejo ainda mais a importância da atividade física e todo o desenvolvimento que me proporcionou e continua a proporcionar. As vantagens anteriormente descritas da atividade física são paralelas ao conceito de pessoa, sendo a pessoa elemento central do cuidado em enfermagem. Os cuidados de enfermagem tomam por foco de atenção a promoção dos projetos de saúde que cada pessoa vive e persegue. 

A defesa dos princípios deve ser uma preocupação constante de todos. Como enfermeira e desportista, tenho como principais princípios orientadores o respeito pela dignidade humana, responsabilidade perante a sociedade e excelência na relação com os outros. Realizando um pouco o papel de ator social que o enfermeiro deve ter, especificamente através da promoção da saúde, realço os efeitos benéficos da atividade física regular que são sobretudo ao nível cardiovascular, metabólico, imunitário, locomotor, na saúde psicológica e na qualidade de vida e bem-estar. Outrora Nelson Mandela afirmou, “Uma boa cabeça e um bom coração formam sempre uma combinação formidável”.

Publicado no Diário Insular em 06/01/2014

2014/01/15

"Letões gastam últimos lats" - A Europa num Minuto




Programa “A Europa num Minuto”
Emitido a 15/01/2014, 12h10
RDP-Antena 1 Açores

A passagem para o euro na Letónia está a chegar à sua fase final. O lats deixa de ter curso legal hoje, dia 15 de janeiro.

Na quarta-feira, 8 de janeiro, mais de 90 % dos pagamentos em numerário nas lojas foram efetuados apenas em euros e todos os clientes receberam o troco na nova moeda, o que mostra que o setor retalhista da Letónia está bem abastecido de euros.

O lats pode ser trocado gratuitamente por euros, à taxa de câmbio fixa, em 302 estações de correios letãs até 31 de março. Pode ainda ser trocado nos bancos até 30 de junho.
 
A Letónia é o 18º membro da zona euro, juntando-se à Bélgica, Alemanha, Irlanda, Espanha, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Áustria, Portugal, Finlândia, Grécia, Eslovénia, Chipre, Malta, Eslováquia e Estónia.

Centro de Informação Europe Direct - Açores
Observatório do Ambiente dos Açores
Estrada Gaspar Corte-Real

9700-030 Angra do Heroísmo
Telf. /Fax. 295 214 005 
Email: europedirect@uac.pt

Da sala de aula ao contexto clínico




Texto da autoria de Pedro Gonçalves Almeida
Aluno do 2º Ano Enfermagem

Esta reflexão relata a minha primeira experiência de ensino clínico, com pessoas em situação de doença, a forma como lidei com elas e o modo como encaro este processo. Realizei-o em contexto hospitalar e num centro de saúde.

Nos primeiros dias em contexto hospitalar, tinha muitas expetativas, mas não contava sentir um impacto tão forte. Deparei-me com “casos delicados” e senti que, dada a minha inexperiência deveria, não só mobilizar os conhecimentos adquiridos durante o período teórico, como também estar atento às orientações das enfermeiras tutoras. Estas, também me ajudaram a estabelecer relações satisfatórias com os utentes com quem lidava diariamente. 

Aprendi a refletir sobre a construção dos cuidados de enfermagem e familiarizei-me com a dinâmica do contexto hospitalar, o que melhorou o meu desempenho. 

As reuniões que tive com as orientadoras ajudaram-me a perceber as estratégias a adotar, e a sentir-me cada vez melhor para ajudar os utentes, nomeadamente no que se refere ao controle da minha ansiedade. Certos utentes foram capazes de perceber que eu era pouco experiente, mas que me esforçava por dar respostas adequadas às suas necessidades. 

Interessaram-se por mim e, estar com elas, fez-me sentir que é assim o processo de cuidar. Progressivamente, construiu-se uma relação de ajuda que facilitou a minha inserção naquele contexto. 

Tive consciência de que é necessária muita “bagagem” teórica para prestar cuidados de enfermagem e intervir fundamentadamente, pelo que aprofundei os meus conhecimentos conversando com as orientadoras e pesquisando autonomamente. O incentivo motivou-me e fez-me perceber que os meus déficits de conhecimentos podiam ser colmatados, conjugando a experiência com a investigação, visto que em cada caso existem especificidades que requerem uma adequação dos conhecimentos teóricos investigados.

Numa segunda fase do Ensino Clínico e já no centro de saúde, a adaptação foi mais fácil, embora a minha desinibição tivesse de ser um pouco maior para conseguir desenvolver os cuidados de enfermagem adequados às necessidades dos utentes. Neste contexto, foi de especialmente importante a educação para a saúde, pois a partilha de informações potencia mudanças de hábitos capazes de melhorar a qualidade de vida. A simpatia e abertura de alguns utentes que tiveram em atenção as recomendações que lhes foram feitas, fez-me experienciar momentos especialmente gratificantes. No entanto, deparei-me também com pessoas mais relutantes ou com situações mais delicadas que necessitavam de apoio especializado. 

Como tenho vindo a partilhar, o Ensino Clínico é um processo moroso que exige autoaperfeiçoamento. 

Vai-se adquirindo experiência e noção da realidade, para se conseguir ter segurança e iniciativa na prática clínica. O aconselhamento dos orientadores, em contexto clínico, é fundamental para se poder amadurecer e atingir o nível de performance que pretendemos. Embora este processo seja exigente, acaba por ser recompensador, pois está a contribuir-se para o bem-estar dos utentes que necessitam de ser compreendidos e acompanhados bem como para a nossa realização pessoal.

Por fim, afirmo que o Ensino Clínico contribuiu para que desenvolvesse uma noção diferente da abrangência da profissão para a qual estou a formar-me. É evidente que é exercendo os cuidados de enfermagem que se consegue mobilizar os conhecimentos aprendidos e simultaneamente, ao lidar-se com uma diversidade de pessoas, aperfeiçoarmo-nos e alargarmos a nossa perceção da realidade dos cuidados de enfermagem construídos com e para os cidadãos.

Texto publicado no Diário Insular em 09/01/2014