2014/07/12

Mestrado: Da Escrita do Nome à Escrita de Textos: Estratégias de Abordagem à Escrita na Educação Pré-Escolar e no 1.º Ciclo do Ensino Básico



Mónica Rodrigues realizou as provas de defesa do relatório de estágio do Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico no passado dia 26 de junho, sob o título "Da Escrita do Nome à Escrita de Textos: Estratégias de Abordagem à Escrita na Educação Pré-Escolar e no 1.º Ciclo do Ensino Básico" As provas foram avaliadas por um júri presidido pelo Doutor Pedro Francisco González, sendo vogais as doutoras Ana Isabel da Silva Santos e Susana da Conceição Miranda da Silva Mira Leal.


Olá Mónica. O que a levou a ingressar neste mestrado? Como surgiu o tema da sua tese de mestrado?
Para responder à primeira questão, as razões que me levaram a ingressar neste mestrado, faria todo o sentido partilhar convosco as primeiras experiências que tive na área da Educação, porque foram estas experiências que me despertaram o interesse em enveredar por esta área. Sendo assim, e para ser breve neste assunto, posso partilhar que tive o prazer de trabalhar, ao longo da minha formação, com crianças, com idosos, com jovens em risco e com crianças com Necessidades Educativas Especiais. Todas estas experiências permitiram-me "crescer" enquanto pessoa e futura profissional. O mestrado veio complementar uma das necessidades que eu tive ao longo das várias experiências, sendo ela: perceber/compreender, ainda melhor, o "mundo da criança" para poder contribuir de forma positiva na formação das crianças possibilitando-lhes aprendizagens significativas. Quanto ao tema da tese, este surgiu aquando a realização do primeiro estágio, no contexto da Educação Pré-Escolar, em que foi constatado que as crianças não tinham hábitos de escrita, nem apresentavam interesse pela mesma. Para colmatar esta lacuna observada neste nível de ensino, foi fundamental apostar em diferentes estratégias que se consideram essenciais para a aprendizagem da linguagem escrita mas, destacamos a aposta no trabalho a partir da escrita do nome e, progressivamente, de outras palavras, para chegar à escrita de textos, com a finalidade de promover a evolução de conhecimentos nesta área por parte das crianças. Como sabemos, o nome está intimamente ligado com a construção da identidade da criança e, por isso, tem valor afetivo para ela, sendo uma estratégia crucial para iniciar as primeiras aprendizagens neste âmbito. Para além desta estratégia, foi fundamental considerar outras estratégias que foram desafiadoras, significativas e que permitiram a evolução das aprendizagens das crianças.


A sua tese chega a algumas conclusões bastante interessantes. Como é que vê a sua aplicação?
Foram várias as conclusões, desde logo, que é possível as crianças aprenderem a partir da escrita dos seus nomes e dos seus colegas, em que as crianças analisam as letras, fazem comparações entre as mesmas e, até mesmo aventuram-se a escrever novas palavras; que ao adotar estratégias significativas motiva as crianças nos diversos trabalhos; que ao possibilitar às crianças o contacto com materiais do dia-a-dia, suportes de escrita, como: revistas, jornais, cartas, entre outros, possibilita uma maior compreensão dos seus conteúdos e da sua importância na sociedade; que é fundamental dar às crianças oportunidades para determinarem o que querem fazer e como, ou seja, permitir que sejam elas a decidirem alguns dos seus trabalhos, mas claro, sempre com o acompanhamento do educador/professor; que é possível envolver a comunidade envolvente e a família das crianças nas diferentes aprendizagens, motivando-as nos diferentes trabalhos; que o facto de a criança se sentir segura e acarinhada pelo educador/professor ajuda-a a enfrentar os seus medos e permite que esta evolua nas suas aprendizagens e, na sequência de uma pequena investigação, onde foram entrevistados educadores e professores, verificou-se que alguns profissionais fazem a abordagem à leitura e à escrita quer numa perspetiva de preparação ou prontidão para a leitura, quer numa perspetiva de literacia emergente. Estas foram as conclusões mais evidentes de todo o trabalho realizado, mas claro ocorreram outras pequenas conclusões e que, não deixaram de ser pertinentes, mas exigem um trabalho mais cuidado e reflexivo. A partir das várias conclusões apresentadas será possível, num futuro próximo, adotar as estratégias que mais evidenciaram resultados significativos de forma a ser possível, no contexto real de trabalho e tendo sempre em conta as características específicas das crianças, realizar um trabalho onde as crianças possam evoluir nas suas escritas, motivando-as a escrever com gosto, adotando as estratégias que se enquadram na perspetiva de literacia emergente, que evidenciam resultados mais significativos e adequados para o processo de aprendizagem da escrita.


Mónica, pretende continuar a investigar na educação? Qual é o próximo passo?
No meu ponto de vista, o verdadeiro educador/professor é aquele que nunca deixa de investigar, que é curioso e que tem o desejo de saber, sempre, algo mais sobre as suas crianças e tudo o que as envolve, e por isso, é claro que pretendo investigar. O próximo passo, se for possível no nosso país, será trabalhar na área de Educação e continuar a investigar o que motiva as crianças nas diferentes aprendizagens ou as estratégias mais adequadas, não limitando-me à área da escrita, mas sim refletindo sobre as diferentes estratégias a adotar nas diferentes áreas de conteúdo, pois considero que a motivação é a base para todas as aprendizagens.

Parabéns, Mónica, e votos de muito sucesso no futuro!
Obrigada.

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