2014/04/29

Apresentação do livro "Cuidar de idosos: uma prática co-construida"


No próximo dia 1 de maio, a enfermeira e professora doutora Rosa Carvalhal, da Escola Superior de Enfermafem de Angra do Heroísmo, irá apresentar o seu livro "Cuidade de Idosos - Uma Prática Co-construída". Em discurso direto, tentamos antecipar o que nos revela este livro.

De que trata “Cuidar de Idosos”?
Trata da procura de respostas para um melhor cuidar dos idosos em situação de doença em particular no que se prende com as relações interpessoais idosos, família e enfermeiros, ou seja, incide sobre a problemática da enfermagem geriátrica. Resulta de um estudo etnográfico, que teve como finalidade a compreensão da cultura relacional do contexto hospitalar geriátrico.
Pretendi compreender o que necessitam; o que querem e o que tem, os idosos e famílias no que se refere à dimensão relacional dos cuidados de enfermagem.
Numa sociedade que envelhece, cujos maiores clientes dos serviços de saúde são idosos, muitas questões se colocam: como se constrói essa relação? Depende de quê? Ao que leve a mesma? Quais os contributos dessa para os idosos, famílias e enfermeiros? Qual a cultura relacional destes serviços? O que contribui para a mesma? Esta “enforma” os profissionais de saúde em presença?
Em análise estão os factores de diferenciação da relação de enfermagem geriátrica e a sua caracterização, constituindo os elementos que levam à sua sustentabilidade como prática peculiar.

A temática relacionada com a Gerontologia está bem presente nos currículos da licenciatura em Enfermagem?
A temática geriátrica, poder-se-á considerar que já tem uma presença significativa nos currículos da licenciatura em enfermagem. No que se refere à gerontologia já não se poderá dizer o mesmo. Esta é uma das questões que acredito será completamente diferente no próximo currículo que já nos encontramos a trabalhar.

Cada vez mais considero que mais que formarmos para o tratamento da doença e para a cura, temos de formar para a melhoria da qualidade de vida das pessoas em todas as idades, situações e em todos os contextos onde se encontrem, para dar resposta aos seus projectos de saúde.
O paradigma da cura já não responde aos projectos de saúde das pessoas. Num paradigma humanista, onde a preocupação se centra na qualidade de vida, a formação e contextos de saúde tem de deixar a perspectiva hospitalocentrista que os têm caracterizado e virar-se para os cuidados integrados comunitários; para a promoção da saúde e prevenção da saúde.

Só criando respostas para “dar mais vida aos anos nos podemos orgulhar de ter acrescentado mais anos à vida”.
O que ainda falta fazer nos Açores para se ter um “envelhecimento ativo”?
Se considerarmos o envelhecimento activo como o processo de optimização das oportunidades para a saúde, participação e segurança, para melhorar a qualidade de vida das pessoas que envelhecem (OMS, 2002), facilmente constactamos que se tem vindo a fazer algumas coisas, mas que muito há ainda por fazer.

Considero que se tem vindo a fazer algumas coisas neste sentido, embora as questões de fundo persistam. Medidas como a criação do cartão 60 +, actividades de laser e exercício físico de proximidade, nas diferentes freguesias, as universidades seniores, os programas de turismo senior, os centros de dia…, são exemplo disso.
O que penso que está por fazer e é a transformação da sociedade para estar de acordo com as alterações demográficas actuais, ou seja o desenvolvimento de uma cultura intergeracional e comunitariamente integrada.

Para um envelhecimento activo, na minha perspectiva, passa por criar respostas intergeracionais, integradas, abrangendo um conjunto alargado e diversificado de áreas – social, educacional, saúde, cultura e lazer, habitacional, entre outras - que envolvem a vida das pessoas.
Esta realidade abrange-nos a todos, independentemente da idade, por isso só faz sentido, numa cultura social intergeracional que urge promover para a mudança de mentalidades. Há que repor os idosos no lugar que é deles por direito, como cidadãos. Vê-los como pessoas que tem limitações e potencialidades, tal como acontece em todas fases e desenvolvimento da humano. Que tem muito para dar e não apenas para receber.

Medidas para um envelhecimento activo sem esta cultura intergeracional, serão sempre medidas “avulso” que acentuam o “ghetto” onde se tem vindo a meter as pessoas à medida que envelhecem.
Enquanto se fomentar a visão do idoso como “um peso social, responsável por quase todos os males da sociedade actual”; como “um ser incapaz que há que arrumar” tudo o que se fizer serão sempre medidas ghetantes.

É indiscutível que o envelhecimento demográfico está ai para durar e continuar a acentuar-se. Há que perspectivar esta realidade como positiva e repensar a forma da sociedade viver e se organizar. Esta realidade trás necessidades de redes de suporte diferentes, mas para todos e não apenas aos idosos.

2014/04/28

III Fórum de Empreendedorismo - dia 10 de maio

PROGRAMA

08:45 Abertura do Secretariado
09:15 Welcome Coffee

09:45 Abertura
  • João Luís Gaspar (Reitor da Universidade dos Açores)
10:00 A Tríplice Hélice: Universidade/Governo/Empresas
  • Mário Fortuna (Diretor do Departamento de Economia e Gestão da UAç)
  • Marisa Toste (Administradora da SDEA)
  • Sandro Paim (Presidente da Câmara do Comércio de Angra de Heroísmo)

10:45 Pros e Contras: “Empresas e Universidade – do casamento ao divórcio?”
  • Inovação – O papel da Universidade, Empresas e Governo, Luís Melo (Cybermap)
  • Discussão moderada por Luciano Barcelos entre os empresários Miguel Pombo (Azores Life Science) e Pedro Toste (Avitoste) e os investigadores Paulo Borges e Telmo Morato (Universidade dos Açores)
12:00 Stand Up aCores – 1/4 de Comédia (stand up comedy)

12:30 Almoço

13:30 Inovação e Desenvolvimento
  • A Estratégia de Especialização Inteligente para os Açores, Bruno Pacheco (Diretor Regional das Obras Públicas, Tecnologia e Comunicações)
  • Inovar para as pessoas, Luís Quental (CEO Quotidian e Consultor de Inovação)
14:45 Fomento do Empreendedorismo
  • A SPI e o seu papel no fomento do Empreendedorismo, Sara Medina (Sociedade Portuguesa de Inovação)
  • TEAMNEURSHIP e Financiamento: uma visão a partir da Finlândia, Marco Abrunhosa (Administrador de Helsinki Equity Covenant Oy - sociedade finlandesa de gestão de investimentos)
  • Lisboa – Startup City” João Vasconcelos (Diretor Executivo da StartUp Lisboa)

16:30 Entrega de prémios aos alunos
17:00 Encerramento
 
Inscrições neste link.

2014/04/27

Workshops - Oficinas de Ciência - Dia da Mãe



O Centro de Ciência vai realizar duas séries de atividades para o dia da Mãe para diversos públicos.

Durante a próxima semana, entre 28 de abril e 2 de maio, grupos escolares, pré-escolares e de atls poderão inscrever-se gratuitamente para as oficinas de ciência, onde poderão realizar mini-velas artesanais, mini-sabonetes aromáticos e ainda sais de banho também para oferecer às mães.

No sábado, dia 3 de maio, haverá o workshop para aprender a fazer velas artesanais para oferecer às mães especialmente indicado para grupos familiares.

Não percam esta oportunidade de experimentar estas atividades com um cheirinho a ciência para o dia da Mãe.

Não se esqueçam de se inscrever.

Centro de Ciência de Angra do Heroísmo
Observatório do Ambiente dos Açores
Estrada Gaspar Corte-Real; 9700-030 - Angra do Heroísmo
Telefone: 295 217 845 | 295 218 462
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2014/04/25

"Liberdade"


Esperei por ti quando vagueava, por entre dunas, na busca da Terra Prometida.

Senti a tua ausência nos circos de feras famintas.
.
Chamei-te quando me queimavam a carne em dias de bestas, cruzadas e anti-Cristos.
Chorei por ti quando me agrilhoaram numa roça perdida do Novo Mundo.

Pensei nunca mais te ver despois de Auschwitz.
.
Evoquei-te na longa noite do fascismo.
Reanimei-me com a queda do muro de Berlim.
E só agora percebi,
que serei um eterno prisioneiro,
das opções daqueles, que permito que me oprimem.

António Félix Flores Rodrigues

2014/04/22

Curso de sensibilização à História da Arte - inscrições até dia 24 de abril


ESTRUTURA GERAL DO PROGRAMA
INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA ARTE

1ª Sessão

·         Introdução à história da arte  - o que é arte?/ Quando é arte?
·         A cultura do rito e da memória - Pré-história
·         O homem e o sentimento estético
·         A cultura da Ágora e do senado - Grécia e Roma
·         Arquitetura e escultura (retrato)

2ª Sessão

·         A cultura do mosteiro e da catedral
·         Arte paleocristã
·         Românico – Alta Idade Média
·         Regras do mosteiro, condicionalismo da arquitetura
·         Gótico – Baixa Idade Média
·         Catedral, lugar da exaltação de Deus – a grandeza e o vitral
·         VISISTA À IGREJA DA VILA DE SÃO SEBASTIÃO (ARQUITECTURA E FRESCOS)
·         VISITA À MATRIZ DA PRAIA DA VITÓRIA (ARQUITECTURA) E PAINÉIS DA IGREJA DA MISERICÓRIDIA DA PRAIA DA VITÓRIA

3ª Sessão

·         A cultura do palácio e do palco
·         Renascimento
·         VISITA AO CASTELO DE SÃO JOÃO BAPTISTA (EXEMPLO DE UMA FORTALEZA RENASCENTISTA
·         Médicis e Mecenato
·         A descoberta da perspectiva
·         A obra renovadora de Miguel Ângelo
·         Maneirismo  e Estilo chão
·         VISITA À IGREJA DA SÉ (EXEMPLO DE ESTILO-CHÃO)
·         Barroco e Rococó – horror ao vazio
·         VISITA AO CONVENTO DE SÃO GONÇALO E/ OU IGREJA DA CONCEIÇÃO (CAPELAS BARROCAS E AZULEJO)
 
4ª Sessão

·         A cultura do salão e da gare
·         Neoclassicismo a busca pelos clássicos
·         VISITA AO PALACETE SILVEIRA E PAULO (ARQUITECTURA E ARTES DECORATIVAS)
·         Romantismo a estética do sublime – Friedrich e Boullé
·         VISITA AO JARDIM DE ANGRA( ROMANTISMO)
·         Impressionismo – a escola de Barbizon e a floresta de Fontainebleau
·         Movimentos modernistas – velocidade – a destruição dos estilos, a introdução dos movimentos -  ismos: fauvismo, futurismo, dadaísmo, cubismo, surrealismo, suprematismo, expressionismo
 
5ª sessão

·         A cultura do cinema
·         “A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica”
·         A cultura do espaço virtual – arte contemporânea
·         VISITA À ESTALAGEM DA SERRETA (ARQUITECTURA CONTEMPORÂNEA)
·         VISITA AO MUSEU DE ANGRA
·         O fim da arte? A não arte?

2014/04/21

Workshop: Como utilizar o Capital de Risco e o Fundo de Investimento de Apoio ao Empreendedorismo dos Açores


No próximo dia 24 de Abril, pelas 18:15, terá lugar no Auditório do Campus de Angra do Heroísmo um workshop promovido pela SDEA - Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores, sobre o tema "Como utilizar o Capital de Risco e o Fundo de Investimento de Apoio ao Empreendedorismo dos Açores."

O evento é aberto a todos os que nele desejarem participar. O público-alvo são os empreendedores, empresários, estudantes e todos os que tenham vontade de lançar um projecto próprio.

2014/04/17

Cine'Eco - Sessão de dia 17 de Abril - Observatório do Ambiente dos Açores (antiga Casa do Peixe)


6ª sessão da Extensão aos Açores | Terceira
do Festival Cine’Eco|Seia 2013

O documentário Vamos Salvar os Alimentos (Food Savers) e as curtas-metragens A Flor Única (The Only Flower), Amora Preta (Black Mulberry) e Regra dos Alimentos (Food Rules) são os filmes que o Cine-Clube da Ilha Terceira e o Observatório do Ambiente dos Açores, numa parceria proporcionada pelo Observatório do Mar dos Açores e pelo Festival Cine’Eco|Seia, com a colaboração do Alpendre – Grupo de Teatro e da Associação Cultural Burra de Milho, apresentam na 6ª sessão da Extensão aos Açores | Terceira do Festival Cine’Eco | Seia 2013, que ocorre na próxima quinta feira, dia 17 de abril, pelas 21h30, na sede do Observatório do Ambiente dos Açores / Centro de Ciência de Angra do Heroísmo (antiga Casa do Peixe).

Vamos Salvar os Alimentos (Valentin Thurn, Alemanha, 2013, 54’), galardoado com o Prémio Educação Ambiental no Cine’Eco | Seia 2013, é a história de pessoas que estão a tentar diferentes maneiras para lidar com a comida. Agricultores, gerentes de supermercado, cozinheiros, estudantes de design e simples donas de casa: todos eles, à sua maneira, participam na rede de produção dos alimentos, na certeza de que mais de metade da comida ainda é desperdiçada ou deitada fora. Eles lutam por uma nova forma de abordar a comida, a qual não tem sido considerada nos últimos anos.




A curta-metragem A Flor Única (Espannha, 2012, 7‘), de César Pérez Herranz, leva-nos à nova China, onde não são só as plantas que têm uma cópia de plástico...

Em Amora Preta (Gabriele Razmadze, França-Georgia 2012, 20’) dois adolescentes encontram-se na cidade mineira de Chiatura, Georgia. Passam um dia juntos e isso é o suficiente para deixar uma marca profunda nas suas respectivas vidas. Mas o destino vai, por certo, separar os dois jovens.

A última curta-metragem desta sessão, Regra dos Alimentos (Marija Jacimovic & Benoit Detalle, Sérvia, 2012, 2’13’’), baseia-se nas ideias do premiado escritor gastronómico Michael Pollan, de como devemos tornar-nos mais conscientes com o que comemos. Neste documentário animado, os seus realizadores preparam-se para nos convencer sobre a importância de uma alimentação e de um planeta saudáveis.

Estes quatro filmes/documentários dão continuidade à Extensão aos Açores | Terceira do Festival Cine’Eco|Seia, que também está a decorrer nas ilhas do Faial, através do Observatório do Mar dos Açores, e de São Miguel, através do ExpoLab e do 9500 Cine-Clube, em sessões sempre de entrada livre.

Na Terceira, ao longo das próximas quintas-feiras, até ao dia 15 de Maio, terão lugar sessões, divididas entre a sede do Alpendre – Grupo de Teatro e o Observatório do Ambiente dos Açores (na antiga Casa do Peixe), encontrando-se a programação detalhada disponível em https://www.facebook.com/cineclubeilhaterceira ou http://oaa.centrosciencia.azores.gov.pt.

Centro de Ciência de Angra do Heroísmo
Observatório do Ambiente dos Açores
Estrada Gaspar Corte-Real; 9700-030 - Angra do Heroísmo
Telefone: 295 217 845 | 295 218 462
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2014/04/15

Porquê votar nas “Europeias” - artigo de Pedro Faria e Castro

Artigo no âmbito do projeto "Juventude e Cidadania 
Europeia - Vamos votar em 2014", promovido pelo 

"As eleições para o Parlamento Europeu vão decorrer no próximo dia 25 de Maio. Iremos eleger 751 deputados que representarão 503 milhões de cidadãos dos Estados-membros da União Europeia.

A crise económica e financeira que vivemos desde 2008 é percepcionada pela opinião pública dos países e regiões com mais dificuldades como resultado da integração europeia, ideia que não corresponde de todo à realidade.

Porque foi precisamente a falta da adopção de instrumentos de coordenação europeia em áreas essenciais, como a bancária, que levou à adopção de política nacionais incompatíveis com os objectivos da União Económica e Monetária e, em última análise, da própria União Europeia.

Num mundo globalizado, em que não dispensamos a aquisição de bens e serviços da mais diversa origem geográfica para o nosso conforto pessoal e colectivo, só podemos enfrentar os desafios do desenvolvimento económico e social se nos integrarmos em espaços cada vez mais alargados, com regras uniformes.

A liberdade de circulação de pessoas, bens, serviços e capitais que vigora na União Europeia criou um mercado sem paralelo noutras regiões do mundo e com um significado político muito importante. É o fenómeno de aproximação dos povos, numa perspectiva da criação de um futuro comum, em paz e mais próspero.

Além disso, a afirmação de valores e princípios comuns a todos os Estados da União Europeia garante o respeito das identidades nacionais e regionais e promove uma maior participação dos cidadãos nas decisões que determinam o seu futuro.

O Parlamento Europeu é a via principal pela qual os cidadãos da União participam na construção europeia. Portugal elegerá 21 deputados que serão a voz dos portugueses.

Os Açores enfrentam dois desafios principais na integração europeia. Por um lado, como região da coesão, com um atraso estrutural relativamente à média das regiões da União, os Açores têm beneficiado de um quadro financeiro plurianual bastante generoso que lhes permitem fazer face às necessidades de desenvolvimento económico e social e com o objectivo claro de, tão cedo quanto possível, alcançarem, pelo menos, a fasquia de 75% do PIB em relação à média da União. Por outro lado, e esse parece-nos ser o desafio mais importante, os Açores são, como região ultraperiférica, destinatários de um mecanismo especial, previsto no artigo 349º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, que permite à União adoptar medidas que atenuem as consequências do carácter ultraperiférico da região. Essas medidas devem ser vistas, não na mesma perspectiva das adoptadas no âmbito da política de coesão da União, mas numa perspectiva de médio e longo prazo, com o objectivo de integrar a região nas políticas da União através, por exemplo, da modulação dessas políticas.

A Nova Europa, que renascerá deste período decisivo até ao final da década, é essencial para apoiar as nossas instituições na superação das dificuldades que sentimos como região ultraperiférica, que procura, além do seu progresso económico e social, a afirmação como região geoestrategicamente avançada nas relações da Europa com o resto do mundo.

O Parlamento Europeu é, tal como os nossos parlamentos, a casa da democracia. A sua dimensão faz, no entanto, a diferença e os Açorianos não querem, com certeza, estar fora do centro de decisão da maioria esmagadora das medidas que regerão as suas vidas nos próximos anos."

Pedro Faria e Castro
Membro da Rede de Conferencistas "Team Europa"
#EP2014

2014/04/14

"Empreendedorismo nos Açores e na Europa" - artigo de Gualter Couto

Artigo no âmbito do projeto "Juventude e Cidadania 
Europeia - Vamos votar em 2014", promovido pelo 

"Segundo a Comissão Europeia, empreender “é, acima de tudo, uma atitude mental que engloba a motivação e a capacidade de um indivíduo, isolado ou integrado num organismo, para identificar uma oportunidade e para a concretizar com o objectivo de produzir um novo valor ou um resultado económico”. Mais do que criar empresas, empreendedorismo significa criar e colocar em prática novas ideias. Temos de saber incentivar cada vez mais as atitudes empreendedoras e procurar ajudar na respectiva implementação.

A importância crescente da iniciativa privada nas economias desenvolvidas e o dinamismo patente nos mercados e nas empresas mais competitivas do mundo asseguraram que o empreendedorismo se fixasse como tema central da gestão empresarial.

A verdade é que a iniciativa privada em economias desenvolvidas e em desenvolvimento tem sido uma força de estímulo ao conceito de empreendedorismo. Os constantes progressos sociais, económicos e tecnológicos deixaram de garantir uma profissão para toda a vida. As necessárias reformas dos Estados e a adaptação a novas realidades, onde os recursos humanos passaram a abundar, tornaram o surgimento de oportunidades de emprego no sector público mais escassas, restando a opção de emprego junto do sector privado ou a opção de iniciar novos negócios.

Há três conceitos base que representam os pilares do empreendedorismo: risco, inovação e oportunidade. O risco é um conceito associado a qualquer iniciativa, uma vez que o seu sucesso é incerto, daí que a probabilidade de erro ou falhanço é uma constante no empreendedorismo. Por seu turno, a inovação é fundamental no processo criativo, pois não se trata de fazer mais do mesmo, mas sim de fazer algo novo, diferente, que ganhe o seu espaço e que marque uma diferenciação no mercado. A inovação é indissociável de empreendedorismo, quer seja ao nível do produto, do processo ou do próprio mercado, uma vez que é um factor fundamental ao desenvolvimento e progresso socioeconómico. Finalmente, a oportunidade é intrínseca ao empreendedorismo, pois a sua identificação e aproveitamento dependem da visão e da perspicácia, logrando capitalizar necessidades patentes no mercado ou estimular novas necessidades, com o objectivo de criar riqueza através da sua satisfação. O empreendedor é arrojado, capaz de perceber e interpretar necessidades e problemas e de encontrar soluções para os mesmos, inovando e correndo riscos sem o medo do erro e do falhanço.

O próximo quadro comunitário aposta no apoio às PME’s, o que se traduz num aumento de verbas, para esse efeito, em 134% em relação ao antigo quadro.
A novidade passa também pela dinamização de start-ups através das linhas propostas pelo programa Horizonte 2020. Há ainda a possibilidade de haver fundos de garantia para PME’s, dirigidos a empresas e projetos que, pelo seu risco ou cariz inovador, apresentem maiores dificuldades na obtenção de financiamento bancário.

Vamos todos participar nos objectivos Europeus e incentivar o Empreendedorismo!"


Gualter Couto
PhD em Gestão - Diretor do Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores
#EP2014

"Votar, exigência de cidadania" - artigo de Carlos Amaral

Artigo no âmbito do projeto "Juventude e Cidadania 
Europeia - Vamos votar em 2014", promovido pelo 

"Até meados do século XX, isolados e abandonados aos seus próprios recursos, os Açores conheceram níveis de subdesenvolvimento que, aos olhos de hoje, foram perfeitamente aterradores: na economia como no ensino, nos transportes como na saúde, e aos mais variados níveis da nossa vida comunitária.

A mudança que conseguimos operar ficou a dever-se a dois factores fundamentais, um endógeno, o outro exógeno: ao regime de autonomia política que nos permitiu assumir as rédeas dos nossos próprios destinos e ao processo de integração europeia, que nos tem vindo a disponibilizar os recursos financeiros através dos quais temos vindo a ser capazes de construir estradas, portos e aeroportos, hospitais e centros de saúde, bem como promover o crescimento económico.

Em democracia, o voto é o instrumento que permite aos cidadãos associarem-se aos processos de decisão, fazendo ouvir a sua voz. É pelo voto que os cidadãos participam da identificação dos seus interesses enquanto comunidade, sem permitir que venham a ser usados como objectos, isto é, como instrumentos para a gratificação de interesses alheios.

É contra este grande pano de fundo que vejo as próximas eleições europeias – e a importância da participação dos açorianos no processo de construção europeia, no caso concreto, para a identificação, por um lado, de quem nos deverá representar na Europa e, por outro, das prioridades para os Açores que lá deverão ser promovidas.

Nestes termos, participar nas eleições – em último instância votando – é exercício da maior importância. É certo, por um lado, que, pela sua dimensão, não serão os eleitores açorianos a fazer grande diferença no espectro da política da União Europeia. Não é menos certo, porém, que o voto constitui oportunidade privilegiada para fazermos ouvir a nossa voz, para dizermos: presente. Estamos aqui. Integramos este projecto de vida em comum que é a União Europeia. E estas são as nossas prespectivas e a s nossas prioridades. Não queremos voltar para traz para um passado histórico em que pouco mais eramos do que moeda de troca para a gratificação dos interesses destes ou daqueles.

Pelo contrário, o nosso voto constitui expressão da nossa vontade de, sendo autónomos, participarmos nas decisões comuns que irão, não só afectar, mas determinar as nossas vidas. E este respeito, não há que ter ilusões. Do mesmo modo que as políticas por que se regem a Agricultura e as Pescas nos Açores, os Transportes, a Educação, o Turismo, a Economia e praticamente todos os sectores da vida contemporânea não são adoptadas na privacidade dos nossos lares, tão pouco são legisladas na Região, no Governo ou na Assembleia Legislativa Regional, ou no país, no Governo ou na Assembleia da República – e pelas mesmas razões.

Hoje, com o aprofundamento do processo de integração europeia, é nas instituições europeias, em Bruxelas, em Estrasburgo, em Frankfurt e no Luxemburgo que são fixadas as principais políticas que determinam as nossas vidas.

Nestes termos, votar nas eleições europeias do próximo dia 25 de Maio constitui a principal oportunidade que se abre aos açorianos de participação na definição das grandes políticas responsáveis pelo futuro dos Açores.

Que ninguém tenha ilusões. Nas eleições de 25 de Maio, não nos iremos pronunciar sobre os Presidentes de Câmara, as Assembleias Municipais ou as Juntas de Freguesia. Pelas mesmas razões, não estará em causa o Governo dos Açores, nem o Governo de Portugal. Tal como não se tratará de eleger, ou de destituir José Manuel Bolieiro, Álamo de Menezes ou Vasco Cordeiro, por exemplo, tão pouco se tratará de premiar ou de castigar Passos Coelho ou António José Seguro.

Com o aprofundamento do processo de integração europeia, as eleições europeias passaram a valer por elas próprias, constituindo oportunidade de nos apresentarmos como cidadãos europeus de pleno direito e de, nestes termos, nos afirmarmos como sujeitos autónomos que querem participar no exercício de definição dos seus destinos, em vez de se verem relegados para a condições de objectos, a que os outros recorrem para deles se servirem."

Carlos Amaral
Cátedra Jean Monnet  - Universidade dos Açores
#EP2014